Dezembro e a Fed: mercados à prova

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As bolsas americanas recuperaram por completo esta semana, anulando todas as perdas da semana anterior. O movimento foi sustentado pela crescente convicção de que a Fed poderá avançar com um corte da taxa de referência já em dezembro. O sentimento foi reforçado por comunicações recentes de vários membros do banco central, que mostraram maior confiança na trajetória descendente da inflação. Esse tom mais equilibrado abriu espaço para uma recuperação consistente nos principais índices, com destaque para os setores de tecnologia e inteligência artificial, que voltaram a captar grande parte dos fluxos. A descida moderada dos juros das obrigações do Tesouro e a estabilização do dólar criaram condições mais favoráveis para os ativos de risco. Apesar do otimismo, a semana foi marcada por alguns episódios de volatilidade, gerada por dados económicos mistos e notícias relativas à Nvidia. Vários indicadores voltaram a sinalizar perda de dinamismo na atividade, alimentando dúvidas sobre a resiliência da economia americana. Leituras menos firmes no mercado de trabalho e revisões em baixa em componentes do consumo e da produção reabriram o debate sobre o abrandamento do crescimento. Para os investidores, o contexto traduz-se num equilíbrio delicado. Uma economia mais fraca aumenta a probabilidade de cortes de juros, mas também levanta dúvidas sobre a capacidade dos mercados para manter o rali recente num cenário de desaceleração mais evidente. A semana de negociação foi mais curta devido ao feriado de Ação de Graças, o que acrescentou uma dinâmica especial à negociação. Com a liquidez a cair e sessões reduzidas, os investidores passaram a focar-se nos dados de inflação que serão publicados na próxima semana. Mesmo assim, a menor atividade não alterou o tom construtivo do mercado A semana reforçou a ideia de que a decisão da Fed em dezembro será o principal evento macro antes do Natal. Qualquer alteração nas expectativas sobre a trajetória das taxas continuará a ter impacto imediato nos ativos americanos. A forma como os mercados reagirem aos próximos dados de inflação, do emprego e da atividade industrial vai determinar se o rali ainda tem margem para continuar ou se o abrandamento económico exigirá uma postura mais cautelosa.

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