Investir e exportar mais, num cenário muito desafiante …

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Num contexto internacional crescentemente exigente, Portugal enfrenta o imperativo de reforçar a sua base empresarial como condição essencial de progresso económico e social. Os dados das Contas Nacionais evidenciam um crescimento do PIB de 1,9% em 2025, após 2,2% em 2024. É um sinal de resiliência, mas manifestamente insuficiente para assegurar uma convergência rápida e sustentada com as economias europeias mais desenvolvidas.  

O crescimento assentou exclusivamente na procura interna, sendo o contributo da procura externa líquida negativo pelo segundo ano consecutivo, uma realidade que deve merecer reflexão profunda, pois a economia portuguesa não pode depender, de forma estrutural, da dinâmica interna para sustentar a expansão do produto, é um modelo que se revela vulnerável e limita o potencial de afirmação competitiva no espaço europeu e global. Acresce que o investimento evidencia sinais de abrandamento. Excluindo a variação de existências, a Formação Bruta de Capital Fixo tem vindo a desacelerar, verificando-se mesmo uma quebra no investimento em máquinas e equipamentos. Quando as empresas investem menos em tecnologia, modernização produtiva e inovação, comprometem-se ganhos futuros de produtividade e reduz-se a capacidade de competir em mercados externos cada vez mais sofisticados. É uma situação especialmente preocupante num período de execução de fundos europeus determinantes, como o PT 2030. 

Também a intensidade exportadora regrediu, situando-se em 43,6% do PIB em 2025, valor inferior ao registado em anos anteriores e distante dos níveis que ambicionamos alcançar.  

A escalada do conflito que envolve os Estados Unidos da América, Israel e o Irão, com perturbações já visíveis numa das principais artérias do comércio energético mundial (estreito de Ormuz), acentua a elevada incerteza internacional, com repercussões no aumento dos custos de produção (preços da energia e fretes marítimos). Para uma economia fortemente dependente de importações energéticas, como é a europeia, este risco não pode ser subestimado. Uma pressão inflacionista persistente poderá levar a um endurecimento da política monetária, com subida das taxas de juro, o que teria consequências sobre o investimento empresarial, encarecendo o financiamento e condicionando decisões estratégicas, precisamente numa altura em que necessitamos de mais inovação e expansão internacional para crescer com solidez.  

Cabe-nos criar as condições para que as empresas invistam, inovem com ambição e reforcem a sua presença internacional. Por tudo isto, o lema do Programa de Ação do mandato da atual direção da AEP continua a fazer todo o sentido: “Valorizar as Empresas para Servir Portugal”, para que sejamos capazes de aproximar o nosso país do núcleo das economias mais desenvolvidas da Europa. 

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