O fator distintivo do ‘Duty Free’ nos aeroportos
Durante muitos anos, o travel retail foi visto sobretudo como um canal de conveniência: um espaço para compras de última hora, impulsionadas pela viagem. Hoje, acredito que essa visão é redutora, especialmente em Portugal.
Nos aeroportos nacionais, o travel retail tem um papel muito mais profundo. É o primeiro e o último ponto de contacto com o país, onde começamos a contar a nossa História a quem nos visita e onde oferecemos a quem parte a possibilidade de levar consigo um pedaço de Portugal.
O fator distintivo do travel retail português é, antes de mais, a autenticidade. Num mundo globalizado, onde as marcas internacionais se multiplicam de aeroporto em aeroporto, a Portugal Duty Free tem a oportunidade, e a responsabilidade, de se diferenciar pela sua identidade. Não se trata apenas de vender produtos portugueses. Trata-se de criar uma experiência que reflita a nossa cultura, os nossos sabores, a nossa tradição e o nosso património.
A Portugalidade não é apenas um conceito decorativo. Tem de ser vivida no espaço, no atendimento e na seleção da oferta. Quando um passageiro encontra um vinho do Porto cuidadosamente selecionado, um produto artesanal contemporâneo ou um doce tradicional reinventado, está a viver uma narrativa. E essa narrativa reforça a perceção do país como sofisticado, autêntico e inovador.
Recentemente a Lisbon Duty Free foi destacada pela revista britânica Condé Nast Traveller como um dos melhores aeroportos do mundo para fazer compras.
Ao mesmo tempo, o travel retail nacional distingue-se pela capacidade de equilibrar tradição e modernidade, pois o passageiro de hoje é exigente, informado e digital, procurando rapidez e conveniência, mas também valor e significado na experiência. Quer poder comprar produtos online antes da viagem, decidir quando levantar as suas compras e otimizar o seu tempo. É neste contexto que a inovação e a digitalização deixa de ser um luxo e passa a ser uma parte fundamental de toda a experiência nos aeroportos nacionais.
Acredito que o futuro do travel retail em Portugal passa por assumir este posicionamento: mais investimento na experiência, na seleção da oferta e na identidade, acompanhando as transformações dos dias de hoje e as expectativas dos passageiros.
