O início do ano começou com guerra, quando desejávamos paz para o mundo!A situação na Venezuela veio elevar os riscos geopolíticos, e embora a exposição direta da economia portuguesa ao mercado venezuelano seja reduzida - o peso do comércio bilateral é apenas residual - a instabilidade neste país sul-americano agrava a incerteza global.A imprevisibilidade quanto ao que poderá acontecer nos próximos meses, nomeadamente se haverá outras ações por parte dos Estados Unidos da América, realça a importância de as empresas estarem preparadas para os efeitos que vão além dos que se verificam na relação bilateral com determinado mercado. Tais impactos indiretos poderão ser relevantes, seja através da volatilidade dos preços da energia e das matérias-primas, seja pelo aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais, o que pode repercutir-se negativamente na confiança empresarial, com reflexos nas decisões de investimento e no processo de internacionalização.Este enquadramento internacional crescentemente instável cruza-se com as fragilidades estruturais que persistem no nosso país e condicionam o pleno potencial de crescimento e competitividade, carecendo de uma resposta consistente. A evolução demográfica permanece um dos principais constrangimentos: o envelhecimento da população, as dificuldades sentidas na renovação da população ativa e na atração e fixação de talento colocam sérios desafios ao bom funcionamento do mercado de trabalho. Em paralelo, a escassez de competências em distintas áreas continua a condicionar o investimento, a inovação e a modernização do tecido produtivo, com reflexos numa produtividade estruturalmente baixa, agravada pela reduzida dimensão média das empresas e um enquadramento administrativo e fiscal excessivamente oneroso. A burocracia, a lentidão dos processos de licenciamento e da justiça económica e outros custos de contexto continuam a penalizar a competitividade de quem tem um papel absolutamente central: empresas e empresários, verdadeiros agentes de criação de riqueza, que asseguram emprego, investem, inovam e mantêm Portugal ligado aos mercados internacionais, mesmo em contextos extremamente adversos. Uma estratégia de internacionalização sustentada na diversificação de mercados continua a ser um caminho essencial, apoiada por iniciativas como o projeto Business On the Way, da AEP, que apoia empresas na identificação de oportunidades externas e na mitigação dos riscos.Perante o mundo incerto, devemos manter a confiança, com a esperança de transformar os desafios de 2026 em oportunidades e, assim, construir um futuro próspero para Portugal. As empresas continuam a ser um pilar de confiança.