Reforçar o apoio à resiliência!

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Quero manifestar a minha profunda solidariedade com as famílias e as empresas afetadas pela tempestade que assolou o nosso país.

Os fenómenos meteorológicos extremos, cada vez mais frequentes e intensos, causaram danos muito significativos. O tecido empresarial, em particular das zonas afetadas, enfrenta interrupções na produção, dificuldades no abastecimento, perdas materiais avultadas, quebras abruptas de faturação e perda de encomendas, num contexto económico já exigente, marcado pela incerteza internacional e por desafios estruturais, agravando a fragilidade de setores inteiros.

Reconheço a importância dos apoios do Governo para mitigar os impactos negativos. No entanto, o montante inicialmente aprovado, na ordem dos 2500 milhões de euros, revela-se manifestamente insuficiente face à dimensão real dos prejuízos. O próprio Governo admite a necessidade de reforçar este valor para cerca de 4000 milhões de euros, o que confirma a magnitude do impacto económico e social da tempestade. É essencial que estes apoios sejam rápidos, desburocratizados e ajustados à realidade no terreno.

Esta conjuntura evidencia a dureza do equilíbrio entre apoiar as famílias e as empresas e manter a saúde das contas públicas. O rigor orçamental é um ativo fundamental para a credibilidade externa do país, a confiança dos mercados e a estabilidade macroeconómica. Porém, uma excessiva contenção da despesa em momentos críticos pode traduzir-se na perda irreversível de capacidade produtiva, de quota de mercado internacional e de relações comerciais construídas ao longo de décadas por empresas que são verdadeiros motores da economia nacional.

Não apoiar adequadamente estas empresas representa um custo elevado para o país a curto, médio e longo prazo. A perda de exportações, de investimento e de emprego qualificado fragiliza a base económica, reduz receitas fiscais futuras e compromete o crescimento sustentável. Apoiar estas empresas não deve ser encarado como despesa, mas como um investimento na resiliência económica de Portugal.

É necessário planear e prevenir, através de investimentos em infraestruturas resilientes, sistemas de gestão de risco e políticas públicas que promovam a adaptação às alterações climáticas. A prevenção é não só uma responsabilidade coletiva, como também um investimento estratégico para proteger a economia, as empresas, o emprego e, consequentemente, as famílias.

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