Tudo muda, para tudo continuar igual!

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A tempestade Kristin e os dias extremamente chuvosos que se lhe seguiram, devastaram o país com particular incidência nos distritos de Coimbra e Leiria. A esse propósito, quando perguntado, um responsável pela Defesa e Proteção Civil rejeitou que tivesse havido falhas daquele serviço. Dias depois, a ministra da Administração Interna que, entretanto, se demitiu, dizia que a situação era extremamente complexa e que todos tínhamos muito a aprender.

Qualquer leitor atento sabe isto. O que talvez não saiba é que tem havido estudos sobre a relação entre a qualidade (dos processos) de gestão e este tipo de atitudes. Quando se comparam países, existe uma forte correlação negativa entre a autossuficiência de quem considera não ter nada a corrigir, ou aprender, e as boas-práticas de gestão. Pelo contrário, é nos países em que os gestores são mais (auto)críticos e consideram que há margem para melhorar que encontramos os processos de gestão de referência e a melhoria é contínua, assim perpetuando a liderança internacional.

Estes resultados são válidos para empresas privadas e, também, para empresas e entidades públicas. A diferença de culturas reflete-se na produtividade e no PIB per capita: como já adivinhou, em regra são os países mais ricos aqueles em que quem gere está menos acomodado, mais empenhado em se superar, não procurando desculpas sistemáticas fora do contexto empresarial.

O imobilismo presunçoso tende a estar associado a quadros institucionais protecionistas, limitadores da concorrência, que encontra no Estado um zeloso defensor, pronto a apoiar setores ditos em dificuldade, sem outro critério que não seja o de tentar manter as coisas como estão.

O que está, está bem! Evidentemente, pode sempre piorar quando se atribuem responsabilidades, na Administração Pública, não com base no mérito, mas na cor clubística, perdão partidária. Não é esse o caminho para a reforma do Estado.

Se, tudo isto, lhe parece familiar, é porque é… O bom sinal veio de Graça Carvalho que, quando tomou conhecimento de uma nomeação extravagante, atalhou caminho. A exceção que confirma a regra?

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