Uma Nova Europa

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No âmbito da Plataforma Colaborativa Sharing Knowledge têm-se realizado várias sessões centradas no tema estratégico do futuro da Europa. Das muitas ideias apresentadas e partilhadas, uma primeira nota de contexto - continua a ser evidente para muitos a falta de um modelo de desenvolvimento que seja partilhado sob a forma de contrato estratégico entre a União Europeia e os diferentes atores económicos e sociais dos diferentes Estados. Precisamos de reinventar o projeto europeu, de mobilizar as instituições e os cidadãos para uma nova agenda de construção de valor com impacto para o futuro.

O Projeto Europeu foi concebido com um sentido inovador para dar resposta às novas exigências que a competição da economia global e os novos fenómenos sociais exigem à sociedade. O balanço destes anos de integração europeia apresenta claramente resultados muito positivos mas como muito bem referiu José Manuel Durão Barroso numa das sessões “importa consolidar os níveis de informação e inovação para fazer da inclusão na Europa um ato de inteligência positiva voltado para o futuro”. Precisamos que a Nova Europa que tanto ansiamos seja o ponto de convergência entre a memória positiva do passado e o sentido de confiança no futuro.

O Projeto Europeu não pode ser interpretados pelos cidadãos e pelas instituições como a mera soma aritmérica das diferentes regiões e países, num contexto de processo de integração feito por decreto. Impõe-se mais do que nunca um verdadeiro “choque operacional” que conduza a um sentido de modernidade estratégica com sentido para todos os atores deste grande espaço: aposta maciça numa formação / educação que produza quadros com capacidade de intervenção global, fixação de investimentos e talentos nas regiões mais desfavorecidas, criação de um contexto competitivo moderno voltado para a criatividade das pessoas e a qualidade de vida das cidades.

É por isso que a aposta numa Estratégia Coletiva Inteligente para o futuro tem que ser a marca desta Nova Agenda Europeia. Um sinal de aposta nas políticas do conhecimento, centradas em territórios inteligentes e apostas na dinamização de verdadeiros “trabalhadores criativos”. Ideias muito simples e claras e para as quais mais não é necessário do que um pacto de “cumplicidade estratégica” e “convergência operacional” entre todos os que têm responsabilidades – actores públicos, empresas, Universidades e Centros de Saber. O Projeto Europeu não pode ser interpretado como um mero instrumento conjuntural de resposta a uma crise estrutural mas antes como uma aposta estrutural capaz de alterar a conjuntura no futuro.

O nosso país não pode perder esta oportunidade de alteração do seu paradigma de desenvolvimento estratégico através da dinamização de uma Nova Agenda Europeia. Em tempos de grande incerteza e volatilidade num mundo complexo, têm que ser acionados mecanismos de reforço da utilização inteligente dos recursos associados à nossa Integração Europeia. A Nova Europa tem que ser um ponto de partida e um ponto de chegada para um novo compromisso com o futuro.

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