A Gumelo já quase perdeu a conta ao número de fotografias de
cogumelos a crescer que viu publicadas na sua página de Facebook. Em
Fevereiro, o Dinheiro Vivo falou com os fundadores da empresa que
vende caixas de cartão recheadas de substrato e borras de café.
Depois de molhadas durante dez dias consecutivos, as caixas deixam
aparecer a primeira colheita: poucos dias depois, já pode cozinhar
os seus cogumelos.
João Cavaleiro, Rui Apolinário e Tiago Marques
começaram o negócio com a ideia de aproveitarem parte das 65 mil
toneladas de borras de café produzidas anualmente em Portugal para
"gerar um alimento de valor acrescentado a partir de material
vulgarmente tratado como desperdício". Leia aqui a história da
Gumelo.
"O grande passo foi passar de uma pequena escala de produção
- em laboratório e em casa - e transpor os bons resultados para uma
escala maior. Decidimos tentar encontrar gente que quisesse apostar
no projeto mas, já durante o processo - e com interesse de vários
investidores -, percebemos que não era alternativa. Queríamos uma
coisa nossa", acrescentava João.
Com um investimento de 14 mil
euros no início do projeto, a Gumelo já vende os kits numa rede de
mais de 30 lojas nacionais, espalhadas por todo o país. Além disso
e, apesar de continuar sem investidores externos, a empresa
portuguesa já tem representação efetiva na Bélgica e no
Luxemburgo e está a trabalhar possíveis entradas na Holanda e nos
países escandinavos. E acaba de lançar o Pre Gumelo, o cogumelo
gourmet pronto a cultivar. "Constitui um convite a que todos
possam fazer parte da equipa Gumelo, recolhendo borra de café
localmente, em cafés de amigos, restaurantes de bairro, entre outros
e transformando-a em deliciosos cogumelos", conta João ao
Dinheiro Vivo. E promete novidades para 2014. Ver aqui.
Mário Silva e Rui Monteiro, dois ex-Sonae, também decidiram
aproveitar o desperdício para lançarem um negócio. Em maio de
2012, criaram o kit The Greatest Candle para convencer o mundo a
aproveitar o óleo que se usa na cozinha para fazer velas coloridas e
perfumadas. A ideia junta tudo num kit especial de instruções e
materiais que custa 19 euros e garante luz de vela durante 180 horas:
colheres de pó, indicações para o microondas e pavio. "Acreditamos
que, um dia, as pessoas vão deixar de ter em casa velas feitas de
parafina, um derivado do petróleo, um recurso escasso e poluente.
Atualmente, 80% das velas existentes no mundo são de parafina.
Queremos mudar isso!", explicou Mário Silva, em entrevista ao
Dinheiro Vivo.
Para o arranque, os dois sócios escolheram a
feira de decoração Maison et Objet, uma das maiores e mais
importantes do mundo: a participação e a atenção que chamaram em
Paris valeu-lhes o prémio de produto mais inovador e uma carteira de
clientes que inclui países como França, Itália, Holanda e Reino
Unido. O modelo de negócio em Portugal está assente na venda
assistida por demonstração, como as marcas Bimby e Tupperware, e
será mais tarde levado para outros mercados.
Filipe Cardigos e Sérgio Gameiro foram reagindo à medida que as
coisas foram acontecendo. Ninguém, Filipe, sabia que para que queria
tantos velhos chapéus de chuva: recolhia-os na rua, velhos, em dias
de mau tempo, abandonados, e guardava-os. O designer desafiou o
amigo, designer de moda, a pensar numa solução para o desperdício.
Começaram a aproveitar os tecidos resistentes dos chapéus de chuva
para criar uma coleção de calções de banho para homem.
A linha
WET nasceu assim, dentro da We the Knot, e apresentou uma coleção
de 25 calções de banho. Do investimento, como contaram ao Dinheiro
Vivo em março deste ano (leia aqui a reportagem),
contabilizam-se muitas horas de trabalho e pouco dinheiro.
"Investimos só capital humano: somos nós que recolhemos,
desenhamos, cortamos, reforçamos as costuras, costuramos. Fazemos
tudo. Uma verdadeira indústria caseira.", asseguram.
Como Mónica Oliveira e Nuno Bernardes que decidiram juntar a
causa ambiente à preocupação com a sustentabilidade. Ainda em
2012, decidiram criar um negócio paralelo aos trabalhos de cada um e
começaram a produzir papel florescente: folhas feitas de papel
reciclado com sementes incluídas na produção. Depois de usado para
o que se entender - tirar apontamentos, escrever cartas, recados - o
papel é cortado e semeado na terra: a água e o sol fazem o resto e,
no vaso, nascem flores, plantas de chá ou gourmet. Há camomila,
manjericão, rúcula e salsinha, entre outros. A criatividade do
negócio é um dos pontos fundamentais da Papel Florescente.
"Consideramos que cada vez mais é essencial em qualquer ramo de
negócio e talvez seja ainda mais importante em empresas na sua fase
de arranque. Normalmente, as que mais apostam em criatividade são as
que apresentam maiores taxas de crescimento e criação de valor",
garante a economista. O papel está à venda como produto, mas Mónica
e Nuno continuam a acreditar que vendem mais do que isso. "Oferecemos
uma experiência. Numa sociedade que vive a mil à hora e que é
completamente descartável, vendemos a consciência ecológica. Se
puder ter um produto que tem uma segunda vida é fantástico, mas ter
algo que além de uma segunda vida é reciclado, é brutal."
a história da Papel Florescente aqui.
Conheceram-se em Portugal, através de amigos em comum, e
decidiram aproveitar a oportunidade para começar um negócio do zero
com dois objetivos essenciais: criar um projeto economicamente
sustentável e ideologicamente social que pudesse divulgar a arte
urbana e os seus artistas e, ao mesmo tempo, servisse de motor na
mudança de mentalidades. A alemã Charlotte Spech e o colombiano
Mario Rueda escolheram Lisboa para arrancarem com o negócio da Book
a Street Artist (leia aqui sobre a empresa), um
catálogo de artistas de rua que querem que mude a visão das pessoas
em relação à arte. "Queríamos fazer alguma coisa pelos
artistas e pelo talento nas ruas e tornar as obras de arte mais
visíveis", explicou Charlotte Specht ao Dinheiro Vivo.
A empresa
é, além de uma agência de artistas, uma equipa de curadoria de
espectáculos e de arte urbana, ou seja, ao mesmo tempo que promove
os artistas, assegura que estes estão à altura das expectativas dos
clientes. Além disso, não é a agência que estabelece os preços:
entre os artistas e os clientes é acordado um valor - que começa em
100 euros para espetáculos musicais e em 150 euros para graffiti -
ao qual se junta a comissão para a Book a Street Artist. A rede de
artistas conta com cerca de 150 nomes, incluindo músicos,
bailarinos, atores e artistas plásticos, entre outros, e já está
na Alemanha, Holanda, Espanha, Reino Unido e Itália. Os próximos
passos estarão, assegura Charlotte, ligados à expansão
internacional através da plataforma online e com a ajuda de um
investidor.
Ivone Silva, Filipa Neto, Lara Vidreiro e Juliana Lapa decidiram
que andar a namorar vestidos em montras enfeitadas não era vida. Mas
que comprá-los nas lojas mais caras e exclusivas também não era
alternativa. Por isso, quiseram estender a ideia às outras mulheres.
Este ano criaram a Style in a Box, uma empresa que nasceu para os
casos em que gastar tanto dinheiro numa peça de roupa não é sinal
de surpresa na hora de pagar. A empresa, a primeira plataforma online
de aluguer de vestidos da Península Ibérica, tem dezenas de
vestidos de marcas tão desejadas como Valentino, Moschinno e
Galliano ou Carolina Herrera. O preço do aluguer começa nos 65
euros e pode chegar aos 180euro/vestido, um valor que representa cerca
de 15% do valor real do vestido.
Inês Coelho tem uma agenda cheia que inclui uma ponte aérea
tripla entre Nova Iorque, Rio de Janeiro e Londres. Foi a rede de
amigos nas três cidades que ditou o início do projeto "The
Connect Club", uma rede social privada onde se trocam contactos
para fazer negócios. Com 2 mil euros, Inês criou a rede e quer
tirar o maior potencial de negócio dos contactos que a integram: por
isso é ela que escolhe a dedo as pessoas que fazem parte do site.
"Sei o que os meus amigos fazem, o que os pais deles fazem, o
que os tios, os namorados e namoradas, os maridos e mulheres fazem.
Faço perguntas mas sobretudo estou muito atenta. Sigo os passos de
toda a gente - sem ser uma stalker. Simplesmente sou interessada e
faço isso naturalmente.", contou ao Dinheiro Vivo em junho
deste ano. Leia aqui a entrevista..
Da lista de contactos de Inês Coelho fazem atualmente parte
muitas pessoas com apelidos conhecidos, gente famosa que dá que
falar em revistas do mundo inteiro e até nomes que ninguém conhece
da televisão, mas que dispensam qualquer tipo de apresentações no
mundo dos negócios e se ocultam nas entrelinhas das grandes notícias
dos jornais. A luso-brasileira já jantou várias vezes com Carlos
Slim, considerado pela revista Forbes o homem mais rico do mundo,
trabalhou em Londres diretamente com Guy Ritchie, o ex-marido de
Madonna, e é amiga pessoal de Margherita Missoni, herdeira do
império italiano com o mesmo nome.
"Muitas destas pessoas nem sequer têm uma página no Facebook.
Não é por aí, pelas redes sociais, que se movimentam porque o que
realmente interessa no mundo dos negócios é a maneira como se
relacionam offline. Há pessoas que não gostam de receber e-mails,
outras que nunca respondem, outras ainda que adoram pedir coisas. O
meu talento é precisamente ter a sensibilidade que é essencial para
perceber o que é que cada um quer e o que é que cada um está
disposto a dar nos negócios", assegura.
Inês faz negócios porque
apresenta contactos a outros contactos: chega a cobrar 25% de
comissão em negócios do género, na maioria das vezes, ligados à
compra e venda de arte ou de casas."Eu tenho um negócio de
capitalização da rede pessoal: o segredo é olhar para a rede e
tratar de apresentar dois contactos cuja relação valha dinheiro. E
ajudar as pessoas que me procuram a serem proativas com a sua rede de
contactos", conclui.