Os 7 negócios mais criativos de 2013

Publicámos mais de 120 histórias de Fazedores ao longo de 2013. No fim do ano, recuperamos os negócios mais criativos
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A Gumelo já quase perdeu a conta ao número de fotografias de

cogumelos a crescer que viu publicadas na sua página de Facebook. Em

Fevereiro, o Dinheiro Vivo falou com os fundadores da empresa que

vende caixas de cartão recheadas de substrato e borras de café.

Depois de molhadas durante dez dias consecutivos, as caixas deixam

aparecer a primeira colheita: poucos dias depois, já pode cozinhar

os seus cogumelos.

João Cavaleiro, Rui Apolinário e Tiago Marques

começaram o negócio com a ideia de aproveitarem parte das 65 mil

toneladas de borras de café produzidas anualmente em Portugal para

"gerar um alimento de valor acrescentado a partir de material

vulgarmente tratado como desperdício". Leia aqui a história da

Gumelo.

"O grande passo foi passar de uma pequena escala de produção

- em laboratório e em casa - e transpor os bons resultados para uma

escala maior. Decidimos tentar encontrar gente que quisesse apostar

no projeto mas, já durante o processo - e com interesse de vários

investidores -, percebemos que não era alternativa. Queríamos uma

coisa nossa", acrescentava João.

Com um investimento de 14 mil

euros no início do projeto, a Gumelo já vende os kits numa rede de

mais de 30 lojas nacionais, espalhadas por todo o país. Além disso

e, apesar de continuar sem investidores externos, a empresa

portuguesa já tem representação efetiva na Bélgica e no

Luxemburgo e está a trabalhar possíveis entradas na Holanda e nos

países escandinavos. E acaba de lançar o Pre Gumelo, o cogumelo

gourmet pronto a cultivar. "Constitui um convite a que todos

possam fazer parte da equipa Gumelo, recolhendo borra de café

localmente, em cafés de amigos, restaurantes de bairro, entre outros

e transformando-a em deliciosos cogumelos", conta João ao

Dinheiro Vivo. E promete novidades para 2014. Ver aqui.

Mário Silva e Rui Monteiro, dois ex-Sonae, também decidiram

aproveitar o desperdício para lançarem um negócio. Em maio de

2012, criaram o kit The Greatest Candle para convencer o mundo a

aproveitar o óleo que se usa na cozinha para fazer velas coloridas e

perfumadas. A ideia junta tudo num kit especial de instruções e

materiais que custa 19 euros e garante luz de vela durante 180 horas:

colheres de pó, indicações para o microondas e pavio. "Acreditamos

que, um dia, as pessoas vão deixar de ter em casa velas feitas de

parafina, um derivado do petróleo, um recurso escasso e poluente.

Atualmente, 80% das velas existentes no mundo são de parafina.

Queremos mudar isso!", explicou Mário Silva, em entrevista ao

Dinheiro Vivo.

Para o arranque, os dois sócios escolheram a

feira de decoração Maison et Objet, uma das maiores e mais

importantes do mundo: a participação e a atenção que chamaram em

Paris valeu-lhes o prémio de produto mais inovador e uma carteira de

clientes que inclui países como França, Itália, Holanda e Reino

Unido. O modelo de negócio em Portugal está assente na venda

assistida por demonstração, como as marcas Bimby e Tupperware, e

será mais tarde levado para outros mercados.

Filipe Cardigos e Sérgio Gameiro foram reagindo à medida que as

coisas foram acontecendo. Ninguém, Filipe, sabia que para que queria

tantos velhos chapéus de chuva: recolhia-os na rua, velhos, em dias

de mau tempo, abandonados, e guardava-os. O designer desafiou o

amigo, designer de moda, a pensar numa solução para o desperdício.

Começaram a aproveitar os tecidos resistentes dos chapéus de chuva

para criar uma coleção de calções de banho para homem.

A linha

WET nasceu assim, dentro da We the Knot, e apresentou uma coleção

de 25 calções de banho. Do investimento, como contaram ao Dinheiro

Vivo em março deste ano (leia aqui a reportagem),

contabilizam-se muitas horas de trabalho e pouco dinheiro.

"Investimos só capital humano: somos nós que recolhemos,

desenhamos, cortamos, reforçamos as costuras, costuramos. Fazemos

tudo. Uma verdadeira indústria caseira.", asseguram.

Como Mónica Oliveira e Nuno Bernardes que decidiram juntar a

causa ambiente à preocupação com a sustentabilidade. Ainda em

2012, decidiram criar um negócio paralelo aos trabalhos de cada um e

começaram a produzir papel florescente: folhas feitas de papel

reciclado com sementes incluídas na produção. Depois de usado para

o que se entender - tirar apontamentos, escrever cartas, recados - o

papel é cortado e semeado na terra: a água e o sol fazem o resto e,

no vaso, nascem flores, plantas de chá ou gourmet. Há camomila,

manjericão, rúcula e salsinha, entre outros. A criatividade do

negócio é um dos pontos fundamentais da Papel Florescente.

"Consideramos que cada vez mais é essencial em qualquer ramo de

negócio e talvez seja ainda mais importante em empresas na sua fase

de arranque. Normalmente, as que mais apostam em criatividade são as

que apresentam maiores taxas de crescimento e criação de valor",

garante a economista. O papel está à venda como produto, mas Mónica

e Nuno continuam a acreditar que vendem mais do que isso. "Oferecemos

uma experiência. Numa sociedade que vive a mil à hora e que é

completamente descartável, vendemos a consciência ecológica. Se

puder ter um produto que tem uma segunda vida é fantástico, mas ter

algo que além de uma segunda vida é reciclado, é brutal."

a história da Papel Florescente aqui.

Conheceram-se em Portugal, através de amigos em comum, e

decidiram aproveitar a oportunidade para começar um negócio do zero

com dois objetivos essenciais: criar um projeto economicamente

sustentável e ideologicamente social que pudesse divulgar a arte

urbana e os seus artistas e, ao mesmo tempo, servisse de motor na

mudança de mentalidades. A alemã Charlotte Spech e o colombiano

Mario Rueda escolheram Lisboa para arrancarem com o negócio da Book

a Street Artist (leia aqui sobre a empresa), um

catálogo de artistas de rua que querem que mude a visão das pessoas

em relação à arte. "Queríamos fazer alguma coisa pelos

artistas e pelo talento nas ruas e tornar as obras de arte mais

visíveis", explicou Charlotte Specht ao Dinheiro Vivo.

A empresa

é, além de uma agência de artistas, uma equipa de curadoria de

espectáculos e de arte urbana, ou seja, ao mesmo tempo que promove

os artistas, assegura que estes estão à altura das expectativas dos

clientes. Além disso, não é a agência que estabelece os preços:

entre os artistas e os clientes é acordado um valor - que começa em

100 euros para espetáculos musicais e em 150 euros para graffiti -

ao qual se junta a comissão para a Book a Street Artist. A rede de

artistas conta com cerca de 150 nomes, incluindo músicos,

bailarinos, atores e artistas plásticos, entre outros, e já está

na Alemanha, Holanda, Espanha, Reino Unido e Itália. Os próximos

passos estarão, assegura Charlotte, ligados à expansão

internacional através da plataforma online e com a ajuda de um

investidor.

Ivone Silva, Filipa Neto, Lara Vidreiro e Juliana Lapa decidiram

que andar a namorar vestidos em montras enfeitadas não era vida. Mas

que comprá-los nas lojas mais caras e exclusivas também não era

alternativa. Por isso, quiseram estender a ideia às outras mulheres.

Este ano criaram a Style in a Box, uma empresa que nasceu para os

casos em que gastar tanto dinheiro numa peça de roupa não é sinal

de surpresa na hora de pagar. A empresa, a primeira plataforma online

de aluguer de vestidos da Península Ibérica, tem dezenas de

vestidos de marcas tão desejadas como Valentino, Moschinno e

Galliano ou Carolina Herrera. O preço do aluguer começa nos 65

euros e pode chegar aos 180euro/vestido, um valor que representa cerca

de 15% do valor real do vestido.

Inês Coelho tem uma agenda cheia que inclui uma ponte aérea

tripla entre Nova Iorque, Rio de Janeiro e Londres. Foi a rede de

amigos nas três cidades que ditou o início do projeto "The

Connect Club", uma rede social privada onde se trocam contactos

para fazer negócios. Com 2 mil euros, Inês criou a rede e quer

tirar o maior potencial de negócio dos contactos que a integram: por

isso é ela que escolhe a dedo as pessoas que fazem parte do site.

"Sei o que os meus amigos fazem, o que os pais deles fazem, o

que os tios, os namorados e namoradas, os maridos e mulheres fazem.

Faço perguntas mas sobretudo estou muito atenta. Sigo os passos de

toda a gente - sem ser uma stalker. Simplesmente sou interessada e

faço isso naturalmente.", contou ao Dinheiro Vivo em junho

Da lista de contactos de Inês Coelho fazem atualmente parte

muitas pessoas com apelidos conhecidos, gente famosa que dá que

falar em revistas do mundo inteiro e até nomes que ninguém conhece

da televisão, mas que dispensam qualquer tipo de apresentações no

mundo dos negócios e se ocultam nas entrelinhas das grandes notícias

dos jornais. A luso-brasileira já jantou várias vezes com Carlos

Slim, considerado pela revista Forbes o homem mais rico do mundo,

trabalhou em Londres diretamente com Guy Ritchie, o ex-marido de

Madonna, e é amiga pessoal de Margherita Missoni, herdeira do

império italiano com o mesmo nome.

"Muitas destas pessoas nem sequer têm uma página no Facebook.

Não é por aí, pelas redes sociais, que se movimentam porque o que

realmente interessa no mundo dos negócios é a maneira como se

relacionam offline. Há pessoas que não gostam de receber e-mails,

outras que nunca respondem, outras ainda que adoram pedir coisas. O

meu talento é precisamente ter a sensibilidade que é essencial para

perceber o que é que cada um quer e o que é que cada um está

disposto a dar nos negócios", assegura.

Inês faz negócios porque

apresenta contactos a outros contactos: chega a cobrar 25% de

comissão em negócios do género, na maioria das vezes, ligados à

compra e venda de arte ou de casas."Eu tenho um negócio de

capitalização da rede pessoal: o segredo é olhar para a rede e

tratar de apresentar dois contactos cuja relação valha dinheiro. E

ajudar as pessoas que me procuram a serem proativas com a sua rede de

contactos", conclui.

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