África foi durante anos o seu continente de trabalho criativo. Esteve em Moçambique na DDB a liderar a criatividade da agência nesse mercado lusófono a trabalhar contas como Vodacom (do grupo Vodafone), a M-Pesa, Standard Bank ou as tintas CIN. Depois o Criativo no Mundo André Coelho apanhou um avião para a Saatchi & Saatchi da África do Sul para trabalhar contas globais como Harley Davidson, Glendfiddich e Voltaren.
CO+K é o seu mais recente projeto. De Lisboa para o mundo reuniu um conjunto multifacetado de criativos - de designers a chefe de cozinha - para uma abordagem onde envolvem os clientes na solução do problema. Inovação, Branding, Marketing e Comunicação são algumas das áreas trabalhadas pela "nova consultora criativa com capital de investimento inicial 100% nacional."
"Para o mercado, 2021 será um ano de transformação. Qual é o ano que assim não foi?! Na CO+K 2020 será um ano de afirmação e continuidade. Afinal já hoje estamos a trabalhar no futuro e com excelentes perspetivas sendo impossível quantificar em faturação essas expectativas positivas", adianta André Coelho, Chief Creative Officer da CO+K, agência onde conta com mais dois sócios investidores.
EDP Innovation, o Rock in Rio, os Vinhos e Azeites MAINOVA e a Wayfer IVECO são alguns dos atuais clientes da agência.
Moçambique e África do Sul foram alguns dos mercados externos onde trabalhou antes do regresso a Portugal para lançar a CO+K. O que traz na bagagem que faz com que a agência se distinga de outras no mercado?
Foram as diferentes experiências em África - mercados em clara ascensão e de enormes oportunidades - que me levaram a um processo de reflexão incentivado pelos diálogos que estabeleci com diferentes criativos, clientes e academias que permitiram fortalecer a minha convicção e visão sobre a oportunidade de criar um novo projeto que se diferenciasse das tradicionais agências criativas. Assente na real colaboração entre as marcas-clientes e a criatividade. O facto de ter estudado Design Thinking na Design Thinking Academy na Cidade do Cabo e ter ingressado no curso de transformação digital na Hyper Island em Amesterdão, ajudou bastante na definição e criação de um novo processo de problem solving (solução de problemas), baseado nos princípios do Human Center Design, a que chamamos o 4K process. Este é, claramente, o nosso principal fator de diferenciação sendo a base de todo o trabalho da CO+K. A nova consultora criativa com capital de investimento inicial 100% nacional.
Apresentam-se como "disruptive creators" (criadores disruptivos)? Não é essa a promessa de qualquer agência criativa? Romper a ordem normal dos acontecimentos com uma nova visão?
Assumimo-nos como uma alternativa às agências tradicionais que têm vindo a mostrar enormes dificuldades à adaptação a este "novo normal" - que nada tem que ver com a pandemia que apenas veio acelerar todo o processo de transformação - uma degradação, que levou à forte queda de investimento e, consequentemente, à descredibilização das grandes agências perante os seus clientes, abrindo espaço a novos projetos, ágeis e especializados em práticas específicas. Na CO+K colocamos no centro da nossa proposta de valor, soluções que criem real impacto na sociedade a partir dos produtos, serviços, sistemas e espaços dos nossos clientes. Somos criadores no "verdadeiro sentido do verbo criar", agimos como catalisadores para a inovação, mudança, e transformação do negócio dos nossos clientes, tornando as fraquezas em forças e as ameaças em oportunidades, por forma a criar e incrementar valor para as suas marcas.
A CO+K é uma equipa multidisciplinar: designers, chefs de cozinha, artistas, engenheiros, cientistas, músicos, realizadores, passando por antropólogos. Dizem não ser nem publicitários nem propagandistas. Como se posicionam então? O que, verdadeiramente, esses "ingredientes" tão díspares podem resultar de diferente?
A experiência em diferentes mercados, networks (redes), sectores ajudou-nos a perceber que podemos ter uma prateleira cheia de prémios, uma equipa repleta de excelentes copywriters, diretores de arte, designers, estrategas etc, contudo "somos todos iguais", todos lemos as mesmas coisas, todos pensamos de igual forma e todos encontramos soluções semelhantes para os mesmos problemas. A melhor criatividade nasce da fricção, da discussão de diferentes pontos de vista, enriquecida por perfis diferentes e criativos de diferentes backgrounds. Criativos não são apenas aqueles que estudaram design, escrita criativa ou direção de arte. São artistas, realizadores, antropólogos, chefs de cozinha. É nesse sentido que a CO+K cria as equipas em função do projeto e não o contrário, onde se adapta o projecto à equipa que "temos na agência". Daí a nossa equipa ser verdadeiramente multidisciplinar, somos viciados em aventura e transformação, acreditamos num processo de trabalho colaborativo e de estreita proximidade como cliente. Se o desafio é criar uma campanha farmacêutica por que não envolver engenheiro biomédico no processo criativo, um focus grupo de doentes e comunidade de cuidados de saúde, e colocar o cliente na construção do briefing, insights e oportunidades de comunicação?
Quantos criativos fazem parte da agência ou é um trabalho em rede com recurso a freelancers?
A CO+K é um grupo de criadores que hoje conta com oito membros na sua equipa. De destacar a brilhante Isa Romão - junior Designer - que está no projecto desde o dia zero ou mesmo o Nuno Mendão - senior e com um profundo background do sector (foi ex-chief operating officer da GCI, por exemplo) - que participou não só na mentoria para a definição do projecto assim como é hoje um parceiro de enorme relevância no processo de problem solving e transformação. Contamos com o Basílio, artista plástico em ascenção, ou mesmo o Chef Hugo Nascimento que é um criativo nato. A equipa fica completa com a Susana Venda, João Meneses e Paula Velho. Contamos ainda com uma rede de freelancers multidisciplinares e especialistas que envolvemos nos projectos sempre que se justifique e acrescentem valor. Assumimo-nos como uma plataforma de portas abertas a criadores independentemente do seu background, formação, nacionalidade, género, crença religiosa.
Querem envolver o cliente no processo de criação, rompendo com a ideia de que a agência sabe mais do negócio do cliente do que o próprio cliente. E os clientes gostam de estar 'envolvidos' ou muitos querem apenas uma agência que lhes 'resolva o problema'?
Sem ferramentas, formatos ou limitações que condicionem à nascença as soluções, ao mercado propomos uma mudança de paradigma alterando o processo criativo tradicional: Hands On e em constante cocriação com o cliente. Criando o briefing com o cliente, juntos identificamos o real problema e em conjunto encontramos a melhor solução. O papel das consultoras criativas junto dos clientes deverá ser encorajar a curiosidade e o pensamento criativo de uma forma transparente e sustentável. Conectar criativos, empresas, estudantes e startups, que, de outra forma, não conseguiriam trabalhar juntos, para encontrar o melhor caminho para resolver um problema que muitas vezes é comum a todos e cuja solução deverá ser criada, desenvolvida e testada entre todos a não apenas com uma das partes.
No que é que esse envolvimento com o cliente se tem traduzido? Há algum trabalho que considere paradigmático dessa abordagem?
A experiência, até agora, é super positiva. Acredito que um bom exemplo disso é o trabalho que a CO+K desenvolve para os Vinhos e Azeites MAINOVA. Onde sempre existiu uma grande disponibilidade por parte do cliente em partilhar o risco e aceitar o desafio de trabalhar sobre um processo de criação diferente mas de enorme envolvimento desde o primeiro dia. Criamos e facilitamos workshops de cocriação onde envolvemos equipas verdadeiramente multidisciplinares. Sentámo-nos com o enólogo, com o cliente, com os consumidores com músicos, chefs de cozinha, viticultores, designers, artistas marketeers etc e questionámos todos os cânones e preconceitos por detrás do de um novo projeto de vinhos e azeites, um novo rótulo ou novas marcas. O desafio foi enorme mas o resultado foi gratificante. Hoje continuamos a trabalhar em perfeita sintonia com o cliente onde a nossa intervenção vai muito mais além do design ou branding, passando a ser o cliente a envolver a CO+K no seu próprio processo interno. Criámos e desenvolvemos o produto, participámos no design e produção da embalagem assumindo assim um comprometimento com um projeto que passou a "ser também nosso desde o primeiro dia".
CitaçãocitacaoMercados PALOP são claramente estratégicos para a CO+K. Têm enorme potencial do ponto de vista de oportunidadesesquerda
E como é que se trabalha o 'envolvimento do cliente', para mais numa época de pandemia, onde o distanciamento tem sido a palavra de ordem. Como se faz isso sem contacto humano, ou pelo menos, muito reduzido?
A CO+K oferece um serviço de consultoria criativa completo, a partir da definição de insights reais que criem real valor. Trabalhamos para diferentes sectores e a nossa abordagem estratégica é focada na clareza da mensagem. No atual cenário de pandemia, adaptámo-nos aos nossos clientes e aos seus negócios que foram bastante afetados. Hoje, no nosso portefólio guardamos bons exemplos de soluções que resultaram e onde a distância ou o longínquo contacto humano não foram razão para qualquer tipo de abrandamento ou dificuldade na implementação do nosso processo criativo. Fomos disciplinados, rigorosos e resilientes, usando e abusando de todas as ferramentas que estavam ao nosso alcance para nunca condicionar a urgência da transformação dos produtos e serviços dos nossos clientes. Esse é o principal desafio: colocar a criatividade ao serviço do negócio dos clientes e não apenas ao serviço da comunicação.
Como têm reagido os clientes a esta proposta de disrupção? Em épocas de crise, a tendência das marcas é para não agitar muito as águas, recorrer a fórmulas testadas e com provas junto dos consumidores, comunicar muito preço....
Bastante bem, os clientes sentem-se confortáveis com o seu envolvimento no processo - hoje não acreditamos ser possível de outra forma - e isso leva-nos a um feedback em tempo real de parte-a-parte o que nos faz "ganhar tempo" e com isso pôr em prática as melhores soluções aos diferentes problemas. Andar com os "K-lines" para trás e para a frente é coisa do passado. Os clientes transformaram-se e nós CO+K acompanhamos essa mudança.
A situação de pandemia, com o forte impacto que isso trouxe na economia, não afetou o número de pedidos dos clientes? Em épocas de crise o investimento em comunicação é o primeiro a ser cortado e o último a recuperar.
No início de 2020, ainda dávamos os primeiros passos e já nos reinventávamos. Felizmente, adaptámo-nos rapidamente reduzindo ao máximo o impacto económico causado pela pandemia. Os pedidos dos clientes não reduziram, passaram sim a trazer condimentos novos, as necessidades mudaram e até a forma como a sociedade passou a organizar-se "obrigou" que assim fosse. A transformação digital dentro das organizações acelerou e, com isso, a demanda de trabalho também mudou. Para já não sentimos o desinvestimento em comunicação mas somos conscientes que num futuro próximo essa seja uma realidade. A CO+K oferece um serviço integrado que vai muito além da comunicação e, por isso, acreditamos que o impacto desta crise que se avizinha seja reduzido. Não baixamos os braços, arregaçamos as mangas e vamos a isso.
Dada a experiência internacional, o mercado externo está na mira? Quais os mercados potenciais para a CO+K?
Somos uma consultora orgulhosamente nacional mas com ambição global. Estamos baseados em Lisboa mas trabalhamos para diferentes mercados Internacionais. Atualmente, além dos clientes portugueses com presença global, temos um importante cliente nos Estados Unidos, outro na América do Sul e diferentes clientes em Moçambique, Angola e Cabo verde. Os mercados PALOP são claramente estratégicos para a CO+K. Têm enorme potencial do ponto de vista de oportunidades mas também de desafios e por isso as nossas equipas são criadas com recursos locais.