E é o design, muito influenciado pela filigrana, a qualidade e os novos materiais que estão a conquistar clientes. É o caso de Carla Matos, criadora da Carla_M, marca de joalharia industrial que usa borracha, aço, acrílicos, inox e fibra de carbono.
As suas peças a circulam já por 25 países. “Antigamente compravam- -se peças em ouro ou prata como investimento para deixar às gerações seguintes, mas o mind set mudou, sobretudo depois do 11 de Setembro - como não se sabe o dia de amanhã, as pessoas querem viver o momento com peças que lhes deem ânimo, alegria.”
Carla Matos vai a eventos internacionais, conseguindo clientes fiéis, numa divulgação “one to one - as pessoas gostam de conhecer os materiais, o processo e a engenharia por detrás da peça”, explica.
Também Liliana Guerreiro há mais de dez anos que é convidada para participar em eventos internacionais, nomeadamente em Nova Iorque e Tóquio. Vende em lojas de museus, depois de em outubro de 2014 ter sido convidada para expor trabalho no MAD - Museu de Arte e Design de Nova Iorque, e no Museu de Chicago, importantes pontos de venda. Conta que teve contactos com a China, mas não se concretizaram.
“É tudo muito confuso, a Rússia também, mas o cliente japonês identifica-se com as minhas peças”, diz, acrescentando que o alemão “gosta de filigrana”. Com peças que vão dos 50 euros aos 30 mil euros, Liliana explica que “o valor da peça tem mais a ver com o pormenor do que com o material de que é feita”.
Joana Ribeiro, quando percebeu que dificilmente as empresas de joalharia nacionais investem na contratação a tempo inteiro de criativos, decidiu lançar-se sozinha. Estávamos em 2010. Cresceu e hoje, aos 28 anos, vende para lojas na Holanda, em Espanha e em Moçambique. Produz joias em prata, às vezes com tintas metálicas e pedras, para mulheres dos 25 aos 50 anos, com preços dos 35 aos cem euros.
Mais centrado no luxo tradicional dos metais nobres, das pedras preciosas ou relógios, a centenária Anselmo 1910 também não tem razões de queixa. Com um volume de negócios de 4,5 milhões de euros em 2014, prevê crescer 5% neste ano e 10% em 2016.
Cerca de 60% da faturação já vem do estrangeiro, sobretudo Angola, Brasil e China, mas também Médio Oriente ou Europa. “A quebra do poder de compra nacional foi compensada com o turismo, que tem vindo a crescer muito”, diz Nuno Torres, bisneto do fundador.
Protagonistas
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Carla Matos, natural da Mealhada[/caption]
Designer que pega em borracha, aço, carbono e faz joias para o mundo usar
Carla Matos, 44 anos, natural da Mealhada, desde miúda que procurava a sua linguagem criativa. Experimentou pintura, escultura, arraiolos, mas “era tudo um déjà vu”. Foi para Lisboa trabalhar numa operadora de telecomunicações. Um dia passou em frente da Escola Contacto Directo, entrou, inscreveu-se e formou-se em joalharia. Hoje tem a Carla_M, que trabalha materiais industriais. Em breve irá trabalhar em 3D print e prata reciclada retirada do raio X e motherboards de computadores. Criou para o Museu de Serralves e CCB. Em 2010, Carla fez uma exposição no MoMA de Nova Iorque - começou aí a sua internacionalização. Hoje, as suas peças circulam por 25 países.
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Liliana Guerreiro[/caption]
Uma carreira feita com o pormenor da filigrana da Póvoa de Lanhoso
Liliana Guerreiro, 41 anos, acabou o curso de Joalharia em 1999 na Escola Superior de Artes e Design, a única da Península Ibérica com licenciatura. “As empresas não estavam a contratar designers, mas não foi preocupante, pois eu queria ter a minha própria marca.” Foi para um ateliê praticar. Começou a vender peças em prata e ouro a familiares e amigos. Mas foi o projeto Leveza, com a Câmara da Póvoa de Lanhoso, que a fez crescer na área da filigrana. Ganhou o 1º e o 2º prémios no Concurso Internacional de Filigrana. Criou parcerias com oficinas da região. Entrou no Museu de Serralves e, através das feiras, já se lançou na aventura da internacionalização.
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Joana Ribeiro, 28 anos[/caption]
Queria ser designer de moda, mas as joias venderam melhor nas feiras de rua
Joana Ribeiro, 28 anos, é filha de uma professora primária e de um chefe de oficinas da construção civil. Desde pequena alterava roupa e fazia acessórios. Sonhava então com o mundo da moda. Mas, após um curso no Citex, com 17 anos, optou por um curso de design de joalharia. Começou por vender as suas joias em prata em feiras de rua no Porto. Seguiu-se o mestrado em design, estagiou numa empresa de filigrana portuguesa em Póvoa de Lanhoso. Em 2010 lançou a sua própria marca. Hoje vende para Holanda, Espanha e Moçambique. E não para: no futuro quer ter um espaço de venda exclusiva.
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Nuno Torres[/caption]
Bisneto da centenária Anselmo valoriza o bom acabamento
Nuno Torres, 51 anos, bisneto do fundador Anselmo dos Santos Torres, fez regressar a empresa de Torres Vedras a Lisboa, nos anos 90. É formado em gemologia em Espanha e, embora assuma não ser especialista em desenho, diz que “o mais importante é que o trabalho seja bem acabado”. Isso mesmo exige das coleções de joalharia, que lança duas a três vezes por ano - “os relógios, que também vendemos, estão mais concentrados nas grandes marcas” -, e das encomendas ao ateliê. “Os clientes idealizam as peças, desenhamos e fazemos a prova, sobretudo de anéis”, diz. Apesar de o seu pai não estar ligado ao negócio da família - foi administrador da TAP -, Nuno Torres abraçou a joalharia por “encanto”.