Os novos "especialistas" em cibersegurança

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A Cibersegurança está, mais que nunca, na agenda mediática, à boleia dos inúmeros incidentes informáticos que estão a acontecer em Portugal. Desde o arranque de 2022 com o ciberataque sem precedentes ao coração da comunicação social, através do ataque ao Grupo Impresa, passando pela atual situação crítica do ciberataque expressivo à operadora Vodafone, gerando distúrbios danosos e sérios impactos na vida de mais de 4 milhões de portugueses.

Assistimos agora à disseminação quase rotineira e banal dos termos cibernética, hackers, dark web, dark net, deep web, cyber intelligence, ciberterrorismo, ransomware, entre outros, como se todos os (alegados) casos de ciberataques pudessem ser sequer tratados de igual forma, sem variantes de atuação dos alegados "piratas informáticos", sem diferenças de motivação para proceder a esses mesmos ataques. Ainda com a agravante de estarmos, agora, perante uma "invasão" mediática de presumíveis "especialistas de cibersegurança" em elevada ascensão no nosso país, os quais de repente, em poucos mais de uma semana e com formações intensivas low cost, se propagandeiam e se transformam nos grandes experts nestas matérias de cibersegurança e da segurança da informação através de "name dropping cibernético" ou como "contadores de histórias" que fielmente reproduzem da comunidade bloguista da área.

A acrescentar, o perigo da exaustiva e massiva exploração mediática (atualmente, quase diária) que estes (supostos) "especialistas de cibersegurança" alcançam, através de monólogos onde debitam as suas doutrinas e técnicas de venda, tornando-se nos novos "gurus", aqueles que ditam as normas e as regras gerais da cibersegurança em Portugal, que lançam conjeturas e vincadas (reais, para eles) teorias da conspiração, as quais, não são baseadas em factos, mas antes são ensaiadas manobras de diversão e autênticas estratégias de puro mediatismo com vista à proliferação de campanhas de autopromoção e ações de marketing pessoal agressivo, sem qualquer nível de sofisticação, ou pior, sem o mínimo conhecimento de valor e experiência comprovada de causa.

Desta feita, incorremos num perigoso cenário, que apenas tende a crescer através do "nascimento" destes "novos ciberespecialistas", ao serem constantemente solicitados pela generalidade dos Media para dar a sua opinião enquanto experts, sem tão pouco ser dada a hipótese de contraditório, de existir um debate (não, monólogos) com outros reais e comprovados especialistas, com créditos firmados; se não mais gravoso, não sendo também verificado o próprio currículo e experiência profissional destas novas "shooting stars" que se tornam nos novos famosos da casa do Big Brother da cibersegurança em Portugal.

A cibersegurança e a segurança de informação são temas fundamentais para a sociedade e, com tal, devem ser abordados com veracidade e de forma informada e ponderada. A globalização da informação veio facilitar-nos o quotidiano, mas coloca-nos numa posição de responsabilidade perante as informações e opiniões que partilhamos sobre certos assuntos.

Especialista nas temáticas da Segurança da Informação, Cibersegurança e Investigação Forense. Escreve regularmente para vários meios de comunicação social e participa em várias formações de nível superior nas principais Instituições Universitárias portuguesas. Possui certificação ISO/IEC27001 Lead Auditor e Lead Implementer e BS25999 Lead Auditor e Lead Implementer. Formação IAPP CIPP/E e CIPM.

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