Meia centena de empresas com uma faturação global de mais de 55 mil milhões de euros poderão aumentar, em conjunto, a contratação de jovens em 10% até 2026. É a estimativa da Fundação José Neves que, em parceria com o governo, através da secretaria de Estado do Trabalho, desafiou 50 grandes entidades, que empregam mais de 200 mil pessoas, a assinar o "Pacto Mais e Melhores Empregos para os Jovens", que é apresentado hoje em Lisboa.
O objetivo é não só incentivar a empregabilidade de trabalhadores até aos 29 anos de idade, inclusive, mas também combater a precariedade laboral. Assim, com este acordo, "a expectativa é que mais 19% dos jovens dessas empresas tenham contratos sem termo", revelou ao DN / Dinheiro Vivo o presidente executivo da Fundação José Neves, Carlos Oliveira.
Entre os signatários do acordo estão empresas de diversos setores de atividade , desde a banca (CGD, Millennium BCP, BPI e Santander) às telecomunicações (Altice e NOS), passando pela energia (EDP, REN e Galp), seguros (Tranquilidade e Fidelidade) ou construção civil (Mota-Engil, DST e Casais). CTT, Bial, Deloitte, Feedzai, Bosh, Douro Azul, RTP e Media Capital também integram este piloto que visa melhorar a empregabilidade dos jovens.
Mas a ideia é alargar o acordo a mais empresas e transformar a iniciativa num movimento nacional pela promoção da melhoria da qualidade dos postos de trabalho dos jovens. Assim, as entidades empregadoras interessadas poderão manifestar a sua intenção de adesão através do email pactoempregojovens@joseneves.org e do site https://joseneves.org/pacto.
As metas até 2026 são diferenciadas de acordo com a margem de progresso potencial de cada empresa, pelo que os compromissos poderão variar entre os três pontos percentuais e os 12 pontos até 2026 nos seguintes indicadores: novas contratações; percentagem de jovens que permaneçam na empresa dois anos consecutivos; quantidade de trabalhadores licenciados com salários de valor mínimo equivalente ao nível remuneratório de entrada da carreira de técnico superior da Administração Pública (1320 euros); peso dos jovens com contratos sem termo; e número de trabalhadores até aos 29 anos com ensino superior que desempenhem funções adequadas ao seu nível de qualificação.
O pacto prevê uma reunião semestral para monitorização, análise do trabalho realizado e partilha de boas práticas, com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do governo e das empresas. Haverá ainda relatórios anuais, nos quais serão apresentados os resultados do acordo na melhoria da empregabilidade dos jovens trabalhadores.
O presidente executivo da Fundação José Neves, Carlos Oliveira, realça que este "é um acordo muito importante para o país, que une as empresas e entidades públicas para responder a uma realidade com que o país se debate há demasiados anos: a vulnerabilidade do emprego dos jovens, mesmo dos mais qualificados, que tendem a estar mais expostos ao desemprego e a ter salários baixos, e com uma fraca evolução em termos reais na última década". "É preciso fazer algo para mudar o estado das coisas e o pacto vai permitir medir o impacto e os resultados do mesmo", acrescentou.
O desemprego jovem em Portugal até melhorou, tendo-se situado nos 18,2% entre os menores de 25 anos (menos 4,3 pontos percentuais do que no período homólogo) em novembro de 2022, segundo os dados mais recentes do INE. Contudo, ainda é mais do dobro do desemprego global (6,4%).
O "Pacto Mais e Melhores Empregos para os Jovens" surge na sequência do lançamento do Livro Branco, em dezembro de 2022, uma iniciativa da Fundação José Neves, do Observatório do Emprego Jovem e da Organização Internacional do Trabalho para Portugal, com o alto patrocínio do Presidente da República.