Palavras e realidade

Publicado a

A Porto Editora vem elegendo as palavras do ano, no fundo as que expressam os conceitos dominantes nos "media" tradicionais e nas redes sociais e que, vistas de uma forma bacteriologicamente pura, representariam o sentimento dos cidadãos, as suas ambições, alegrias e preocupações, retrato da sua própria vida.

Entre as 50 palavras mais usadas nos últimos cinco anos, e excluídas as que se referem à covid, grande parte exprime ou matérias de relações sociais como assédio, extremismo, populismo, sexismo, nepotismo, influência, discriminação, abuso, ou temas de momento, como rainha, seca, urgências. Raríssimas são as que traduzem matérias de natureza económica, e nessas prevalecem as relacionadas com as finanças públicas e apelo à intervenção do poder político como orçamento, bazuca, moratória ou juros.
A avaliar pelas palavras, a atividade económica não é um tema que preocupe e mova os portugueses.

Palavras como produtividade, competitividade, competência, liderança, inovação, mérito, rentabilidade, risco ou lucro, que expressam os conceitos que promovem o crescimento económico, proscritas do vocabulário mediático, nunca aparecem na lista das mais utilizadas dos últimos anos. Uma ausência só explicável por uma doutrina subliminarmente difundida que renega empreendedorismo, iniciativa e risco.
Por isso, nos últimos 10 anos emigraram 953 mil portugueses, mais 336 mil que na década de 60 do século passado, rememorada como o tempo negro da emigração; e nos seis anos de governos de A. Costa o número de emigrantes atinge já os 469 mil, não longe do número de toda a década dos anos sessenta.

Não se crê que os portugueses sejam levados a emigrar por questões de assédio, extremismo, populismo, sexismo, nepotismo ou outras de raiz marcadamente sociológica. Emigram, porque não veem perspetivas de crescimento e melhoria da sua vida, face à política e cultura vigentes de "cancelamento" ou, no mínimo, de ostracização da iniciativa privada como motor do crescimento e de que muita comunicação social se tornou refém. Mas que deixa 2,3 milhões de portugueses que não puderam emigrar em risco de exclusão social, obrigando o Governo a atribuir a um milhão deles apoios extraordinários para suprir necessidades vitais.
Só novas palavras e um novo discurso podem alterar esta situação. Para um BOM ANO NOVO.

Economista

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt