Pandemia fez desaparecer quase um terço das receitas da cultura na Europa em 2020

A pandemia teve um efeito devastador no setor da cultura na Europa. Os dados apontam para uma quebra de receitas de 90% para as artes cénicas e de 75% para o setor da música, com efeitos negativos que se podem manter "durante uma década".
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Em 2020, a pandemia levou as receitas da cultura na Europa a afundar 31%, devido às restrições trazidas pela Covid-19. Os dados foram contabilizados pela consultora EY, a pedido da GESAC (Grupo Europeu de Sociedades de Autores e Compositores), indica o jornal espanhol El País.

No total, a indústria cultural na Europa terá registado uma quebra acumulada de 199 mil milhões de euros, aponta a estimativa da consultora.

No ano passado, pelas contas feitas pela EY, só o setor dos videojogos escapou à perda de receitas culturais na Europa, tendo mesmo visto as receitas subir 9%, para os dois milhões de euros (dados com base no Eurostat, GESAC e em organizações profissionais).

As quebras são mais acentuadas quando se passa para outras áreas culturais. A estimativa é de que, nas artes cénicas, onde estão incluídos o teatro ou a dança, a quebra de receitas tenha sido de 90%. A segunda área mais afetada é a da música, onde as receitas recuaram 76% no ano passado.

O estudo divulgado aponta ainda quebras na área das artes visuais (-38%), na arquitectura (-32%), na publicidade (-28%), nos livros (-25%) ou na área da imprensa, nomeadamente nos jornais e revistas, onde as receitas terão recuado 23% no ano passado.

A quebra mais reduzida terá sido nas receitas da rádio na Europa, que ainda assim terão decrescido 20% face a 2019.

Espaços culturais encerrados em Portugal

Por cá, o segundo confinamento trouxe o encerramento de todos os espaços culturais, após uma segunda metade de 2020 em que os espetáculos e eventos culturais puderam decorrer de acordo com as normas da DGS (redução da lotação das salas, com os espectadores sentados e com espaçamento entre cadeiras).

A evolução da pandemia em Portugal levou a um novo confinamento, que encerrou as salas, aumentando as dificuldades sentidas pelo setor. Este mês foi anunciado pela ministra da Cultura um programa de 42 milhões de euros, a fundo perdido, destinado às entidades coletivas do setor da cultura, salas de espetáculo, salas de cinema independentes, cineclubes associações e ainda artistas, técnicos e autores.

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