Pandemia muda comportamento de mais de 90% dos consumidores portugueses

Inquérito EY Future Consumer Index, liderado pela consultora EY, revela um impacto sem precedentes da covid-19 nos consumidores. Portugal foi incluído pela primeira vez.
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Como resultado direto da pandemia de covid-19, 91% dos consumidores portugueses afirmam ter mudado a forma como compram e 54% mudaram os produtos que passaram a comprar. Mais de dois terços (67%) dizem estar "dispostos a experimentar novas marcas ou produtos".

A nível financeiro, os inquiridos mostram-se mais cautelosos, com 80% a "pensar com mais cuidado" nos gastos e 71% a afirmar que vão "gastar menos" no Natal e na Passagem de Ano. Ainda que os rendimentos tenham descido para 34% dos inquiridos, 67% dizem estar a "tentar poupar mais do que anteriormente".

Em grande parte devido às medidas e restrições impostas pela pandemia, o estudo - realizado entre a última semana de outubro e a primeira de novembro a um universo de 522 consumidores (51% homens, 49% mulheres, com idades compreendidas entre os 18 e os 65 anos) - mostra que os portugueses começaram a investir mais em serviços de entrega de supermercado ao domicílio, alimentos frescos, enlatados e secos, assim como em congelados. Por outro lado, a diminuição dos gastos fez-se sentir em atividades de lazer fora de casa, férias e produtos de luxo.

"Imposta e moldada por uma pandemia, a economia do distanciamento social começa a ganhar força. Estamos, claramente, a assistir a uma economia que resulta de novos hábitos de consumo e que privilegia a diminuição do contacto social próximo, afasta-nos e aumenta as restrições de saúde sanitária. Tal terá impacto nas formas como vivemos, como trabalhamos, como compramos, como nos divertimos, movimentamos e usamos a tecnologia. Terá e já tem. Os resultados estão à vista", afirma em comunicado Sérgio Ferreira, diretor executivo da área de experiência digital e serviços de consultoria da EY Portugal.

Não é só no consumo que a covid-19 se mostra impactante: no dia-a-dia dos inquiridos, 89% sentem-se preocupadox com questões de saúde, 88% com liberdades, 87% com finanças pessoais e 76% com emprego.

Quer seja pelas compras online, pelo teletrabalho ou por outras utilizações de caráter social, a pandemia veio aumentar os níveis de consumo de tecnologias com 58% dos inquiridos a assinalar que passa "mais tempo na internet" e 55% refere que "a tecnologia ajuda a aproveitar mais a vida" durante este período.

Quanto às expectativas de uma estabilidade financeira, os portugueses não se mostram otimistas, com apenas 25% a afirmar que tal pode acontecer em semanas. No entanto, "40% perspetivam que tal aconteça em meses" e os restantes 35% "em anos" ou, em casos mais extremos, nunca.

"Do ponto de vista dos negócios, das empresas e das marcas que lidam com esta nova realidade e que tentam resistir a tempos adversos, estes dados - que analisam e o comportamento do consumidor - são de extrema importância, já que ajudam a interpretar e antecipar mudanças, permitindo eventuais reposicionamentos", acrescenta ainda Sérgio Ferreira.

Quanto ao mercado de trabalho, a versão portuguesa do estudo mostra ainda que os consumidores nacionais têm perceções diferente sobre a rapidez do regresso à normalidade, "revelando que 64% contam que aconteça dentro de dias ou semanas"

Comportamento que se assemelha em relação às compras, com 29% a acreditar numa normalização a curto prazo.

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