Que a pandemia do COVID-19 terá um impacto relevante na economia, já não existem dúvidas. A velocidade com que – em menos de 10 dias – se mudaram as prioridades nas vidas das empresas e das pessoas é avassaladora.
A questão que se impõe neste momento é saber como se vão minimizar ou mitigar estes impactos. Ainda assim, não deixa de ser curioso é que a questão que se deveria colocar era “como nos deixamos chegar aqui, enquanto civilização?”, considerando que temos a maior quantidade de recursos e de informação disponível que alguma vez tivemos enquanto sociedade. Como Bill Gates tão bem previu na sua participação numa Ted Talk em 2015 , apesar de toda a informação disponível, não estávamos prontos enquanto sociedade para responder a uma situação destas. Nem em 2015, nem – pelos vistos - cinco anos depois!
É exatamente nestes momentos de grande incerteza que as personalidades com perfil de liderança, nas pessoas e nas empresas, se podem destacar. Para o bem – contribuindo com soluções, guiando e unindo a sociedade – ou para o mal – focando em eixos de perversidade ou explorando iniciativas oportunistas. Foquemo-nos mais nas oportunidades.
Nesta matéria, as marcas desempenham um papel relevante, e muita da sua afirmação futura dependerá fortemente das decisões que forem capazes de tomar hoje. Contudo, a afirmação da sua relevância, estará muito para lá dos números e dos cálculos financeiros ou dos resultados, devendo-se centrar fortemente na procura de solução inovadoras para fazer a diferença neste contexto.
É inegável que as marcas precisam continuar a garantir a sua subsistência económica, pois dela dependem não apenas a saúde dos seus negócios – e em limite da economia dos países - mas também milhares e milhares de postos de trabalho.
Contudo, mais que os resultados, as marcas que souberem colocar o foco nas pessoas – Consumidores e Equipas – em detrimento de uma visão economicista ou oportunística, serão seguramente recompensadas pela forma como crescerão em relevância e em reforço dos seus valores. Por isso, as iniciativas e atitudes que adotarem serão decisivas na afirmação e fortalecimento da sua identidade e do seu posicionamento, para manterem um estatuto relevante na mente dos consumidores e do mercado.
Do optimismo do excedente ao medo da escassez, em apenas 10 dias
Este momento é um tempo de mudanças aceleradas. Em poucos dias, uma esmagadora maioria de empresas adota o teletrabalho quando muitas resistiam sequer a considera-lo como uma opção. É mais perceptível que nunca a importância da interacção social, quando ainda semana passada jantávamos com amigos ou com a nossa família, ligados às redes sociais e desconectados da presença física.
Olhando para a realidade portuguesa, a estrutura empresarial em Portugal está fortemente alicerçada nas PME. De acordo com os dados mais recentes do PORDATA, dos profissionais ao serviço nas empresas, 78% está afeto às PME, cabendo às grandes empresas 22% dos empregos. Muitas das principais marcas em Portugal têm, por isso, origem nessas PME.
Para além do seu impacto na economia, do seu papel na produção, o seu impacto social é também relevante. As iniciativas promovidas pelas marcas – como os grandes eventos ou muitas outras acções de forte impacto social – são hoje parte da vida das sociedades e serão fortemente prejudicadas pelo actual contexto.
É por isso, crítico que o Estado, por via de iniciativas do Governo, tome medidas que ajudem as marcas e as empresas a ultrapassar esta fase, para que continuem a afirmar o seu contributo decisivo na economia e a fazer (o) bem.
Pedro Diogo Vaz é Senior Partner Superbrands e CEO BUS.