Paris prepara-se para votar se vai ou não banir as trotinetes da cidade

De pioneira na utilização de trotinetes partilhadas, a capital francesa prepara-se para votar no domingo sobre a sua proibição.<br/>
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Os residentes de Paris vão votar, ente domingo, se irão ou não banir as trotinetes elétricas partilhadas das ruas da capital francesa, o que, a confirmar-se, seria a primeira grande cidade mundial a tomar esta decisão.

Apesar do resultado da votação, não se pode esquecer que Paris foi das pioneiras na utilização desta forma de mobilidade leve partilhada através de apps, como a Lime, Dott ou Tier, e que são populares entre os jovens como alternativa aos transportes públicos para percorrer curtas distâncias.

"Simbolicamente o voto é muito importante", disse Erwann Le Page, diretor de Relações Públicas da Tier, um operador sediado em Berlim. "É uma cidade que tem sido pioneira", recorda.

Após uma introdução caótica das trotinetes em 2018, as autoridades parisienses têm progressivamente endurecido a regulamentação, criando zonas de estacionamento delimitadas, limitando a velocidade máxima e restringindo o número de operadores.

Mas a sua presença permanece controversa, com os peões a queixarem-se de condução imprudente enquanto uma série de acidentes fatais realçou os perigos destes veículos que podem atualmente ser alugados por crianças a partir dos 12 anos de idade.

A presidente da Câmara de Paris, Anne Hidalgo, pressionada pelo aumento da sinistralidade nas estradas da capital, anunciou o referendo em janeiro para resolver a questão se as trotinetes partilhadas devem ou não permanecer na cidade. Numa entrevista à AFP na quinta-feira, o socialista pró-ciclismo, que favorece uma proibição, chamou-lhes "fonte de tensão e preocupação" na vida dos parisienses.

A votação popular não irá afetar as trotinetes particulares, sendo que só no ano passado foram vendidas mais de 700 mil em toda a França, de acordo com números do Ministério dos Transportes.

Cerca de 100 mil viagens são realizadas todos os dias em França, com trotinetes elétricas partilhadas em cerca de 200 vilas e cidades.

Os residentes parisienses foram convidados a votar este domingo, mas devem constar das listas eleitorais e terão de se deslocar pessoalmente a um dos 21 centros de votação disponíveis para cobrir toda a capital.

O ministro dos Transportes Clement Beaune espera que a votação resulte numa proibição, enquanto alguns operadores temem, por seu lado, um resultado negativo, a menos que os seus utilizadores, na sua maioria jovens, compareçam às urnas.

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