O medicamento que ajudou milhões de homens em todo o mundo a superar a disfunção eréctil vai agora ficar acessível a um preço mais barato em Portugal.
A patente nacional do Viagra, detida pelo laboratório norte-americano Pfizer, vai expirar no próximo dia 14, passados 16 anos da sua introdução em Portugal, país onde a impotência sexual afeta mais de 500 mil homens.
Muito em breve, os portugueses poderão vir a adquirir o famoso
comprimido azul por valores a partir dos 15 euros, fazendo as contas a
partir da embalagem mais barata - quatro comprimidos com dosagem de 25 miligramas - que custa atualmente 31,16 euros.
Das quatro embalagens comercializadas, a mais cara - com dosagem de 50 miligramas com oito comprimidos - está disponível pelo preço de 64,83 euros. Fazendo as contas, o genérico semelhante em dosagem e quantidade pode descer para os 32,41 euros.
Até ao momento, 45 farmacêuticas pediram ao Infarmed (instituto que regula os medicamentos) uma Autorização de Introdução no Mercado (AIM), ou seja, permissão para poderem comercializar no mercado nacional genéricos com a substância ativa do Viagra.
No entanto, dos 45 pedidos, poucos vão chegar, para já, às prateleiras das farmácias portuguesas. "Neste momento, há dois medicamentos prontos a ser
comercializados com a mesma substância ativa", avança fonte oficial da Infarmed.
Um dos dois novos genéricos vai ser comercializado pela Pfizer, a produtora do Viagra. "Apesar do Viagra continuar a ser comercializado, vai ter uma alternativa de genérico de marca Pfizer", disse Helena Novais, porta-voz da companhia norte-americana, ao Dinheiro Vivo.
A Pfizer, a maior farmacêutica mundial em termos de receitas, afasta receios sobre a perda de quota de mercado com a introdução de genéricos. "O medicamento é o medicamento, está prescrito a mais de 37 milhões de pessoas em todo o mundo, são pessoas que conhecem e confiam no Viagra", afirma.
Com o fim da patente, os preços dos genéricos com a mesma substância ativa serão reduzidos em 50% "do preço máximo, administrativamente fixado, do medicamento de referência com igual dosagem e na mesma forma farmacêutica", segundo o diploma aprovado no final de 2011.
O medicamento vendeu 2 mil milhões de dólares em 2012 a nível global, mais 4% face a 2011, num total de 8 milhões de embalagens receitadas.
Em Portugal, o Viagra vendeu cerca de 1,2 milhões de embalagens, mais de 5,3 milhões de comprimidos, num total de 36,5 milhões de euros. Os dados são da consultora IMS Health e referem-se ao período entre janeiro de 2006 e novembro de 2013.
A guerra pelo mercado da disfunção eréctil em Portugal já vem de longe e promete continuar com o fim da patente detida pela Pfizer. Em 2011, o Tribunal do Comércio de Sintra mandou ordenar a retirada de dois genéricos do Viagra do mercado, após uma queixa da Pfizer. Na altura, a farmacêutica queixou-se que a venda destes medicamentos tinha provocado a perda de um milhão de euros, levando à perda de 7% da quota de mercado.