Payflow. App que dá acesso a salário acumulado tem na mira 100 mil trabalhadores até 2024

Solução que serve salários "<em>à la carte</em>" entrou em Portugal há poucos meses e prevê terminar o ano com 100 empresas e 25 mil utilizadores. A aposta é sobretudo na restauração, hotelaria e retalho.
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A fintech espanhola Payflow, que há meses trouxe para Portugal uma solução que permite aos trabalhadores acederem ao proporcional do salário quando lhes for mais conveniente, quer conquistar 250 empresas e 100 mil utilizadores nacionais até ao final de 2024. A expectativa é que parte desta meta se concretize já este ano, com a captação de 100 empresas e 25 mil utilizadores, sobretudo nas áreas onde a solução gera um maior impacto - restauração, hotelaria, retalho, limpeza e segurança.

Ao Dinheiro Vivo, Avinash Sukhwani, CEO da plataforma, refere que "a necessidade deste tipo de produto é muito grande e evidente em Portugal, onde o custo de vida tem aumentado drasticamente, especialmente em Lisboa, e as pessoas têm recorrido a outras soluções financeiras, como cartões de crédito, para fazer face às despesas". A Payflow, por outro lado, trata de oferecer às empresas uma solução que permite aos seus trabalhadores receberem uma percentagem equivalente ao salário já trabalhado.

O modelo de receitas da startup baseia-se numa taxa mensal que é cobrada aos empregadores, de acordo com a dimensão do seu negócio, o que permite acomodar companhias de qualquer grandeza e "fornecer uma solução económica para a gestão da sua força de trabalho". Já para os colaboradores, esta é uma ferramenta instantânea, privada e totalmente gratuita, um fator que, segundo o mesmo responsável, distingue a fintech de outros fornecedores, "que podem cobrar pelo acesso a serviços semelhantes".

Este produto, desenvolvido em formato de aplicação móvel (app), é vendido como um benefício para as equipas. Relativamente a como funciona, o líder da tecnológica explica que, à medida que os dias do mês vão passando, os trabalhadores veem o dinheiro disponível na sua conta da Payflow a crescer, sendo que o montante é sempre equivalente ao vencimento diário, multiplicado pelos dias trabalhados. Sempre que desejem fazer uma transação, precisam apenas de indicar a quantia no ecrã principal e, uma vez efetuada a operação, o dinheiro é depositado na sua conta bancária em poucos minutos. Na hora de processar o salário, a empresa exclui o montante a que acederam durante o mês.

Se em 2021 a aplicação foi lançada para servir "salários à la carte", novas funcionalidades foram sendo acrescentadas entretanto. Entre elas, a Learnflow, uma solução interativa de educação financeira para melhorar os hábitos dos colaboradores; o Saveflow, um sistema de poupança virtual e automático; e o Flexflow, um serviço de compensação flexível (que ainda só está disponível no país vizinho). Na sua versão mais completa, a plataforma permite, assim, aceder ao salário trabalhado, poupar de forma simples em mealheiros virtuais - algo que, de acordo com o CEO, tem sido muito utilizado em Portugal - e aprender sobre hábitos e conceitos financeiros.

Foi juntamente com Benoit Menardo que Avinash Sukhwani fundou a Payflow em Espanha, com escritórios em Barcelona e Madrid. Hoje, já soma delegações na Colômbia (Bogotá), Portugal e Perú (Lima), tendo recentemente ultrapassado o marco de meio milhão de utilizadores e 800 empresas no mundo inteiro. Lanidor, Poke House, Gleba, Plateform, Olisipo, Garcias e Grupo Pasta Non Basta são alguns dos clientes que compõem a carteira em território nacional.

Ainda por terras lusas, a fintech conta com uma equipa de cinco pessoas, entre as quais o country manager, Duarte Barosa. E, apesar de cerca de 15 profissionais de Barcelona e Espanha se dedicarem também a clientes portugueses, a empresa tem planos para fazer crescer o número de colaboradores nos próximos meses, sobretudo nos departamentos de vendas e operações.

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