

A hipótese tem sido aventada - apesar de o ministro da Economia rejeitar, para já, a implementação do IVA Zero no cabaz de bens alimentares essenciais, à semelhança do que aconteceu em 2023, para aliviar os bolsos das famílias face à escalada dos preços.
Para o presidente-executivo da Jerónimo Martins (JMT), Pedro Soares dos Santos, a medida causa-lhe dúvidas, uma vez que premeia tanto quem "está bem" como "quem está menos bem".
"O IVA Zero tem muito mais que ver com o impacto no consumidor do que com a empresa", respondeu o gestor durante a conferência de imprensa que se seguiu à apresentação de resultados da retalhista - que ontem, 18 de março, anunciou um crescimento do resultado líquido na ordem dos 8% em 2025. "Não sei se é a medida mais equilibrada e justa para quem tem menos. E isso deixa-me sempre dividido nessa matéria. Porque premeia quem já está bem e também quem está mal. É de muito impacto direto junto do consumidor, mas é isso", concluiu.
O responsável da JMT, ladeado da sua equipa de gestão, adiantou ainda que é cedo para fazer prognósticos sobre o impacto que a atual guerra no Irão poderá ter nas contas na empresa - e nas carteiras dos consumidores.
Para já, afirma Soares dos Santos, o efeito que está a ser sentido é o do aumento do preço dos combustíveis, mas o grupo tem acomodado essa evolução. Se o continuará a fazer, "só o tempo o dirá", porque tudo dependerá do tempo que durar o conflito.
"Quanto ao resto, temos de esperar, porque sabemos que muitos efeitos só se sentem muito tempo depois. Nesta fase, em relação aos combustíveis, as companhias têm estado a absorver esse aumento, mas dependerá de quanto tempo durará" o conflito.
No mesmo sentido, os preços da energia poderão ser os próximos a ressentir-se, também, mas Soares dos Santos não está particularmente preocupado, para já. "A Jerónimo Martins tem preços na eletricidade negociados a alguns anos, pelo que está mais ou menos estabilizado".
E aproveitou ainda para rejeitar que a taxa de inflação esteja refletida nos produtos das marcas que vende. "Na Polónia há uma deflação. Nas nossa lojas, em Portugal, a inflação está praticamente idêntica ao ano passado".
Margens pressionadas em 2026
O CEO do grupo adiantou ainda, em resposta aos jornalistas que estiveram presentes durante um encontro esta quinta-feira, 19 de março, na sede da empresa, em Lisboa, que manter as margens - ou conseguir fazê-las crescer - durante este ano vai ser "extremamente desafiante".
"Porque não é só na alimentação" que se espera que haja aumentos, mas sim em tudo o que está "ao redor da vida de uma pessoa — os combustíveis, as taxas de juro...— as pessoas vão ter de escolher. Logo, há esse risco", de haver uma quebra das margens.
"Temos de ir medindo ao longo do ano. Mas esse risco existe, não só na Polónia mas também em Portugal. Não vou esconder que pode acontecer, mas se tivermos uma dose de realismo estamos mais bem preparados em relação aos desafios que temos pela frente", assumiu.