Pestana com perdas de 32 milhões de euros em 2020

As receitas hoteleiras do maior grupo nacional afundaram cerca de 75% devido ao novo coronavírus. Depois do início da pandemia e até agora, saíram cerca de 900 pessoas do grupo, cerca de 300 foram voluntárias.
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O Pestana Hotel Group terminou o ano de 2020 com um resultado líquido negativo de 32 milhões de euros. Os efeitos da pandemia levaram a uma queda da receita hoteleira na casa dos 75%. Este grupo, o maior em termos hoteleiros nacionais, fechou assim o ano passado com uma quebra no volume de negócios de 57% face a 2019.

"2020 tinha tudo para ser mais um ano fantástico. Janeiro e fevereiro, que são os meses mais fracos da atividade turística nossa porque temos uma atividade que é sazonal - Algarve, Porto Santo - mas mesmo assim tivemos o melhor janeiro e fevereiro de todos os anos", começou por notar José Theotónio, CEO do Pestana Hotel Group, em conferência de imprensa. Contudo, os efeitos da pandemia começaram a tornar-se claros em março de 2020, tendo o grupo encerrado todas as unidades, uma situação que se manteve nos meses de abril e maio.

"Para se perceber a rapidez [com que a pandemia evoluiu] a 16 de março fechámos o primeiro hotel por falta de clientes (...) e de 16 a 31 de março fechámos os 100 hotéis, em 14 países onde estamos. Só ficaram a funcionar os hotéis que davam apoio à pandemia", acrescentou o responsável.

O presidente executivo do grupo assume que as "receitas hoteleiras foram reduzidas em 75% apesar do janeiro e fevereiro" terem sido "os melhores de todos os anos". "Os outros negócios foram abrindo e fechando um bocadinho. O golfe abriu um bocadinho mais cedo em maio, manteve-se algum tempo aberto, mas trabalhou mais meses. O Casino na Madeira a mesma coisa - a Madeira teve um regime diferente do Continente", sendo que a surpresa foi a área de imobiliário.

"Temos imobiliária turística, o principal projeto foi o Tróia Eco Resort, depois temos imobiliária pura, residencial; tínhamos um projeto em Lisboa e outro nos Açores. E além disso fazemos alguma gestão dos condomínios, no Algarve. Essa área de negócio também tem alguma construção. E esta foi a área que teve um impulso positivo. Teve um crescimento de cerca de 25%".

Uma das explicações encontradas pelo gestor para esta evolução é que muitas famílias procederam ao desconfinamento do ano passado em Tróia e uma passa a palavra entre familiares e amigos levou a um aumento da procura. "Vendemos entre maio e novembro - terminamos as vendas porque não havia mais inventário. Vendemos cerca de 80 casas, mas era o que pensávamos vender em três anos, até 2022".

"Os resultados que o grupo Pestana apresentou em termos globais e consolidados é negativo, foram cerca de 32 milhões de euros negativo. Vínhamos de um resultado de 80 milhões positivo a nível global, mas temos uma coisa que foi conseguimos ter que foi um EBITDA positivo em cerca de 33 milhões de euros", notou ainda.

O setor do turismo e da hotelaria foi dos mais afetados pela pandemia. E tal com muitas empresas, o grupo Pestana não renovou contratos a prazo, mas teve também saídas voluntárias desde do início da pandemia. "Desde que começou a crise e até hoje, houve saídas de cerca de 900 pessoas. Cerca de 600 eram contratos que não foram renovados. E depois houve cerca de 300 pessoas que saíram voluntariamente", indicou José Theotónio.

"O setor do turismo deixou de ser um setor muito interessante. Tínhamos desenvolvido muito as áreas de IT, revenue management, e-commerce e business intelligence e a área financeira. Todas essas pessoas ficaram com mercado. Temos os serviços partilhado em Lisboa que fazem toda a área de backoffice incluindo a área financeira para todos países e operações. Já contratamos cerca de cento e tal. Saíram cerca de 900 mas temos cerca de 800 a menos", rematou.

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