A forte retoma do turismo no país, a elevada procura dos portugueses e o crescimento de mercados internacionais deram fôlego às contas do Pestana Hotel Group (PHG) no ano passado que viu os lucros disparar para os 109,5 milhões de euros, um crescimento de 376% face a 2021, quando obteve um saldo positivo de 23 milhões de euros. Comparando com o pré-pandemia, aquele que era até agora o melhor ano da empresa, os lucros aumentaram 38%.
A maior cadeira hoteleira portuguesa registou assim os melhores resultados financeiros da sua história com receitas recorde de 453 milhões de euros - 8% acima de 2019 e de 50% em comparação com 2021. Já o EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) avançou para os 200 milhões de euros, um crescimento de 24% face a 2019.
"2022 foi o ano da grande retoma, depois de dois anos bastante difíceis motivados pela pandemia. Conseguimos, em todos os aspetos financeiros, ter melhores resultados face a 2019. ", revelou esta quarta-feira, 19, José Theotónio, CEO do grupo, num encontro com jornalistas.
Também a dívida financeira recuou, em 2022, 117 milhões de euros para os 383,3 milhões de euros.
O PHG soma já mais de uma centena de hotéis em Portugal e no estrangeiro mas foi a operação dentro de portas que mais ajudou a impulsionar as contas. No total, a atividade no país pesou 82% na tesouraria da empresa contra os 18% de outras geografias, sobretudo da Europa. Cá dentro, as estrelas foram a Madeira (peso de 34%, +6% face a 2019) e o Algarve, que foi o segundo destino do país nas contas do grupo com maior peso.
O preço foi outro dos fatores que ajudou a adensar os resultados. Em 2022 o preço médio dos hotéis do grupo subiu 28% em comparação com 2019 para os 132 euros.
Já para este ano, as perspetivas "são boas" mas o CEO admite que ainda é "muito cedo" para apostas. Ainda assim, otimista, sublinha que o grupo está já em vantagem por contar com um primeiro trimestre de atividade plena, cenário que não aconteceu em 2022 devido ainda aos efeitos da pandemia.
Quanto à Jornada Mundial da Juventude (JM) o presidente executivo do Pestana assegura que o evento terá um impacto expressivo na operação. "Vai ter impacto mas não será a galinha dos ovos de ouro para o Turismo. A JMJ é, sobretudo, para os jovens e eles não ficam nos hotéis", justifica.
No início do ano o PHG aumentou os salários aos trabalhadores em 11%. Desde fevereiro que a empresa paga um valor mínimo de mil euros a todos os seus quatro mil trabalhadores em Portugal, num pacote que inclui a retribuição e o subsídio de alimentação. Contas feitas, a equipa irá receber 16 salários em 2023 com este aumento, explica o CEO. Para José Theotónio este é um dos maiores custos na fatura anual do grupo.
Já no capítulo das novas aberturas, o Pestana irá adicionar este ano mais 128 quartos à sua atual oferta (12 mil quartos), num investimento de 10 milhões de euros. Em Lisboa, está já em soft opening uma Pousada em Alfama e, em julho, será a vez de inaugurar a nova unidade na Rua Agusta.
Para os próximos anos está projetada a a abertura do sexto hotel da marca Pestana CR7, em Paris. A construção do quatro estrelas, que resulta de uma joint venture entre o grupo hoteleiro e o jogador de futebol, irá arrancar no primeiro semestre de 2023 e tem um prazo de obra de entre 18 e 24 meses. Em 2025, a unidade localizada na Rive Gauche, próximo do Sena, abrirá portas depois de um investimento de 60 milhões de euros - o grupo de Dionísio Pestana assumirá metade do capital e o futebolista a outra fatia de 30 milhões de euros.