PJ Pereira. O publicitário, “artista geek” que escreve sobre deuses Orixás

Criou uma campanha vencedora de três Grand Prix em Cannes. É ainda escritor. PJ Pereira, da Pereira & O'Dell, conta como tudo se liga.
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É um dos mais premiados publicitários brasileiros. Ganhou quatro Grand Prix e um Emmy. PJ Pereira é co-fundador da agência de São Francisco Pereira & O'Dell, considerada uma das agências de 2016 pela revista AdAge. Coca-Cola, Intel, Timberland, Netscout são alguns dos clientes.

É também escritor. "Sinto-me um artista geek", disse ao Dinheiro Vivo. PJ Pereira esteve esta semana em Portugal para o relançamento de Deuses de Dois Mundos e para participar na Storytelling Academy, iniciativa da agência FCB Lisboa.

Começou na programação, mas um dia alguém lhe disse que era um "guitarrista numa orquestra". Mudou-se para a agência de publicidade DM9 de Nizan Guanaes. Foi saltitando dentro da agência, até que lhe foi dada a oportunidade na área criativa. Ganhou com a sua primeira campanha digital um Leão de Ouro. E nunca mais parou. Um dia saiu e fundou a sua própria agência digital, a Click (hoje Isobar). E continuou a ganhar Leões e até um Grand Prix.

A agência cresceu. Em clientes, escritórios, prémios. Mas um dia, PJ Pereira e a namorada foram vítimas de um sequestro em São Paulo. A história acabou bem e nesse mesmo dia pediu a namorada em casamento. Ajudou também a sedimentar a ideia de ir para o exterior. E foi para a AKQA onde encontrou Andrew O'Dell, o seu sócio na Pereira & O'Dell.

Fez muitas campanhas, mas desde 20013 tinha dentro da gaveta uma obra de ficção sobre os deuses Orixás que queria ver em livro. PJ Pereira levou quase dez anos a publicar Deuses de Dois Mundos, porque as editoras no Brasil não queriam publicar "uma história com heróis negros". Foi preciso ganhar um Emmy com a campanha The Beauty Inside, para a Toshiba/Intel, para tudo mudar.

https://www.youtube.com/watch?v=qyMQIMeSCVY

Deuses de Dois Mundos foi bestseller no Brasil e já está editado em Portugal. Neste momento, a trilogia está a a ser traduzida para polaco e castelhano. Previsto está ainda a produção de um filme e de uma BD pela produtora The Alchemists, mas ainda sem datas de estreia.

Deuses de Dois Mundos nasce para combater os seus próprios "fantasmas" para com esta tradição religiosa de origem africana que movimenta milhões no Brasil e não só. Mas também para combater o preconceito junto de quem lê. Os livros são uma campanha contra o preconceito, diz mesmo.

Ganhou em 2013 três Grand Prix com uma única campanha, The Beauty Inside. O júri do Cannes Lions rendeu-se à história de Alex que todos os dias acordava num corpo diferente, permitindo que os próprios consumidores enviassem a suas histórias encarnando a personagem. Foi uma "experiência de redação coletiva incrível".

Ganhou ainda um Emmy. E o ano passado viu sair, com produção sul-coreana, uma comédia romântica com base na ideia de The Beauty Inside. Para a ideia passar para o cinema, a Intel/Toshiba teve de ceder os direitos da campanha para a Pereira & O'Dell.

Defende que os clientes deveriam incentivar as agências a serem os seus representantes artísticos, que as agências de publicidade não devem ser cientistas, mas sim "artistas que entendem de ciência".

Têm de ter "credibilidade artística" para fazer os grandes trabalhos, pois só assim conseguem atrair outros artistas e fazer trabalhos com sucesso. A Pereira & O'Dell produziu com Werner Herzog o documentário Lo and Behold: Reveries of the Connected World. Tudo começou porque um dia uma companhia de cibersegurança, a Netscout, queria fazer uma campanha. Resultou numa obra de mais de uma hora. Muito para além de uma campanha de 30 segundos.

https://www.youtube.com/watch?v=Zc1tZ8JsZvg

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