A PlayStation 5 e as novas Xbox Series X e S substituem os modelos da japonesa Sony e da americana Microsoft lançados há precisamente sete anos, em novembro de 2013. Já na altura o lançamento das rivais foi no mesmo mês, tal como acontece agora.
A Xbox Series X custa 499 euros, enquanto a bem mais modesta em características e tamanho Xbox Series S (512 GB) a custar 299 euros. Ambas há venda desde dia 11 de novembro. Do outro lado, o preço é semelhante: a PlayStation 5 custa 499 euros e a edição digital (cuja diferença é não ter leitor de discos Bluray 4K, como a versão normal) tem um preço de 399 euros. As consolas vão chegar às lojas já amanhã, quinta-feira, 19 de novembro.
Ricardo Flores, ex-líder e membro Associação Portuguesa de Produtores de Videojogos e manager do estúdio de videojogos britânico, Lockwood, explica-nos que se trata de dois lançamentos "muito importantes para todos os que gostam de videojogos", e são cada vez mais.
A consola da Microsoft parece ter menos argumentos do que a PlayStation à partida, mas Flores admite que isso pode ser enganador já que a Xbox ganha claramente nos serviços online e na cloud. "Além do hardware, olhando para o catálogo de jogos também parece faltar alguma coisa no lançamento da Microsoft, até por não haver o Halo em formato normal", explica o especialista.
No entanto, olhando com mais pormenor, "percebe-se que se calhar também não é bem assim, porque a Xbox tem um catálogo online impressionante que não encontramos tão facilmente na Sony", no que diz ser "uma luta interessante de acompanhar", já que as novas gerações de consolas "vão girar ainda mais em torno dos serviços online e da proposta adicional que são capazes de entregar, são bem mais do que uma consola".
Nesse domínio, PlayStation e Xbox perseguem há anos a necessidade de "ser um centro de entretenimento e os números não mentem", com uma "percentagem enorme de pessoas a usarem a consola também para ver Netflix e outros serviços de streaming", especialmente para quem tem 4K "e quer ver os conteúdos com muita qualidade".
Ricardo Flores admite que os serviços associados, desde as subscrições aos alugueres "vão fazer a diferença para muitos jogadores especialmente no futuro próximo, já que muitos irão escolher a consola pelo melhor serviço mensal". Apesar disso, pelo menos para já quem deverá comprar são os fãs de uma ou outra marca, com o programador de videojogos a admitir que dificilmente quem é adepto da PlayStation irá mudar para Xbox nesta altura.
Em destaque está também o novo comando da PlayStation 5 que promete uma resposta háptica para experiência mais imersiva e tem sido dos elementos mais elogiados nas reviews à nova consola. "É diferente do habitual pelas sensações que passa pelo comando, estou muito curioso", admite, deixando também elogios à autonomia da bateria.
Já a Microsoft foi "mais tradicional" no novo comando, que continua a ser a pilhas. "Mas têm uma visão mais multiplataforma, dentro do universo Microsoft, que pode ser vantagem até por se poder usar vários ecrãs para jogar um jogo pela cloud e em vários aparelhos, incluindo smartphones", explica.
Apesar de admitir que a experiência na cloud ainda não é perfeita para jogos mais rápidos, "já é um boa solução para a maioria dos jogos", diz-nos Ricardo Flores. O facto da Microsoft ter apresentado uma consola menos potente, embora "possa não ser ideal a nível de marketing", "faz sentido porque nesta era da cloud passa a não ser necessária uma consola tão potente já que o processamento passa a acontecer mais na nuvem". O manager do estúdios da Lockwood em Lisboa explica que na cloud "a Microsoft tem clara vantagem, já que os seus serviços foram feitos para isso e é uma aposta com vários anos que começa agora resultados palpáveis".
Numa altura de trabalho e ensino remoto concentrado em casa por causa da pandemia, Flores lembra que "sentimos hoje mais as dores da cloud na vida remota, já que nem sempre a velocidade da internet está nas melhores condições e há jogos que estão dependentes disso para funcionar bem.
Smartphones 'consola'
Já sobre o potencial dos videojogos nos smartphones, o especialista admite que os telefones já são as 'consolas' preferidas em vários países, especialmente da Ásia e da América Latina. "São já verdadeiras consolas portáteis que ganham com serviços de gaming na cloud como Google Stadia, daí que também existam cada vez mais smartphones de gaming específicos", explica.
Nos smartphones brilham mais os jogos sociais ou casuais, com uma outra dinâmica de jogo diferente de uma consola.
Já sobre a promessa da realidade aumentada aliada aos jogos de smartphone, Ricardo Flores admite que há um potencial enorme já visto em jogos como o Pokemon Go, trazendo "uma grande interação e uma dose de realidade ao jogo". Apesar de já "haver coisas muito boas em realidade aumentada", a aposta da Apple na área, colocando o sistema LiDAR nos novos iPhone 12, por permitir que a área de expanda.
Pode conhecer aqui as características da PlayStation 5 e da Xbox Series X:
Vendas da Xbox batem recorde da marca
O lançamento das Xbox Series X e Xbox Series S está a ser o maior da história da marca que pertence à Microsoft, com as consolas a venderam cerca de 1.4 milhões de unidades a nível mundial em apenas 24 horas, de acordo com uma estimativa preliminar do site VGChartz publicada no domingo. O modelo preferido foi o com melhor performance: a Xbox Series X.