A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a polícia da Bolsa brasileira, quer que a Oi detalhe os passos que levaram a operadora a recusar a proposta dos credores representados pela Moelis, decisão que antecedeu o pedido de recuperação judicial feita pela operadora brasileira, na qual a Pharol é a maior acionista com 27,2%. O regulador quer ainda saber qual o motivo da renúncia de Bayard Gontijo, antigo CEO da Oi, noticia O Estado de São Paulo.
O regulador da Bolsa quer averiguar se houve atuação de membros do conselho de administração da Oi contrária aos interesses da companhia. Segundo o Estado de São Paulo, nos ofícios enviados à Oi, a CVM cita notícias de que teriam sido administradores eleitos pela Pharol - que ocupa 5 dos 11 cargos no conselho - a mostrar a maior resistência ao acordo proposto pelos credores, representados pela Moelis, com quem a Oi, na época liderada por Bayard Gontijo tinha estado a negociar em Nova Iorque.
Na proposta feita pela Oi estava previsto uma nova emissão de obrigações, bem como a troca das atuais por uma nova com maturidades maiores, assim como a troca de dívida por capital. Na contraproposta a Moelis propunha que os credores ficassem com 95% do capital, com os restantes 5% a serem distribuídos pelos atuais acionistas o que representaria uma forte diluição do capital dos atuais acionistas, entre os quais a Pharol.
Segundo o que foi noticiado na imprensa brasileira teria sido essa resistência dos administradores a essa diluição de capital que teria levado à rejeição da proposta. Um acionista da Oi fez chegar inclusive uma queixa ao regulador apontando responsabilidades a Rafael Mora. Administrador com funções não executivas na Oi em representação da Pharol, Rafael Mora é um dos nomes que o fundo Bridge quer afastar do conselho.
A CVM quer ainda averiguar sobre os motivos da renúncia de Bayard Gontijo, que ocorreu antes da decisão da Oi rejeitar a proposta da Moelis. O regulador quer obter informação sobre as "reuniões, contatos (oficiais e informais), discussões, tomadas de decisão e divulgações de informações que se relacionaram com o assunto", noticia O Estado de São Paulo, quer ainda "ver atas de reuniões e a lista de seus participantes, incluindo bancos, advogados e assessores contratados para assessorar a Oi".
Na imprensa brasileira a saída de Gontijo foi apontada à discordância da Pharol a entregar 95% do capital da empresa a credores. Mas ao que foi possível apurar, o tema da diluição do capital sequer terá sido discutido em reunião de conselho.