Politicamente incorreto

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Quando o tema da eletrificação automóvel se apresentava como caminho único para o futuro da Indústria Automóvel Europeia, mensagem promovida por Bruxelas, não se antevia a dimensão do impacto negativo que tal decisão iria provocar nos Construtores Europeus.

Este facto leva-nos a crer, que ao assumirmos nova dependência em muito semelhante à que justifica a exclusão da utilização de combustíveis fósseis a curto prazo, nos conduzirá para uma via de não retorno, com impacto Ambiental, Social e Económico não quantificável.

Foi nesse contexto, que questionámos os perigos resultantes de uma decisão que nos remete para a mono dependência (elétrica) e passámos a integrar, na qualidade de membro fundador, a Plataforma Para a Promoção de Combustíveis de Baixo Carbono (PCBC). Esta iniciativa tem na sua génese, entre outros objetivos, o apelo às instituições Nacionais e Europeias para que se proceda à elaboração de um quadro legislativo que valorize e apoie todas as tecnologias de baixo teor de carbono, traduzindo esse esforço no período transitório, em natural benefício para as Economias, Consumidores e Ambiente.

A nossa convicção tem vindo a ser fortalecida por vozes relevantes nesta temática, não só a nível Europeu, como Mundial, mostrando cada vez mais, uma maior proximidade a uma outra realidade, que partilhamos e defendemos no plano das soluções energéticas, acreditando ser possível realizar a inevitável Descarbonização do Setor Automóvel, através de transição equilibrada para uma mobilidade sustentável, caso sejam colocados como vetores energéticos essenciais, os Combustíveis de Baixo Carbono, a par da Eletricidade e do Hidrogénio.

A possibilidade de através de alternativas energéticas amigas do ambiente, alargar a vida útil dos veículos equipados com motores de combustão interna, que compõem de forma esmagadora o parque circulante tanto em Portugal como na Europa, é não só concretizável, como por força de razão, imprescindível.

Esta solução dependente da coragem e do bom-senso do poder político, permitirá na atual fase de transição energética, que as Empresas do Setor da Reparação e Manutenção Automóvel garantam a sua atividade, contribuindo para a estabilidade da economia e para a redução dos efeitos colaterais negativos, que atingem principalmente os consumidores com menor poder de compra, particularmente afetados com o aumento do preço dos veículos novos.

Sendo a mobilidade sustentável um dos eixos do combate às alterações climáticas, através da descarbonização e da modernização do setor automóvel, e atendendo a eletrificação, como via favorita dos decisores políticos europeus e nacionais, não compreenderemos a exclusão de soluções complementares, como é o caso dos combustíveis de baixo teor de carbono e do hidrogénio, cujo papel será determinante no setor do transporte pesado de mercadorias de longa distância.

Este é o nosso entendimento sobre o modelo e a forma de custo eficiente que permitirá concretizar os desafios estabelecidos no Acordo de Paris (European Green Deal), colocando assim, a União Europeia como a primeira economia e sociedade com impacto neutro no clima até 2050.

Alexandre Ferreira, presidente da Direção da ANECRA, membro fundador da Plataforma PCBC

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