Ponto Zero. "Não podemos ter uma ideia romântica do mercado de trabalho"

No Dia Internacional da Mulher, o Ponto Zero troca as flores por mentoria e compromete-se a apoiar mulheres portuguesas no acesso a cargos de liderança, preparando "as próximas gerações para o sucesso".
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O Ponto Zero nasceu como podcast a 8 de março de 2022 pelas mãos de Sara Aguiar e Mafalda Rebordão, duas jovens de 25 anos comprometidas com a diversidade e empenhadas em desafiar o status quo. Um ano e 500 minutos de conteúdo depois, o projeto evoluiu e lança agora o seu primeiro evento sob o mote "We Can Do Better", desafiando 30 CEO de grandes empresas a assinar um compromisso para mentorar 30 mulheres durante um ano.

O que começou por ser uma conversa mensal entre duas amigas transformou-se em podcast quando decidiram que queriam partilhar as suas aprendizagens com outros jovens. "O nome Ponto Zero surgiu porque acreditamos que todos estamos constantemente a trabalhar nas nossas próximas melhores versões, não acaba no 2.0", conta Sara Aguiar, startup business development na Amazon Web Services e cofundadora do Ponto Zero.

Rapidamente as conversas foram substituídas por "sessões de mentoria pública", quando decidiram que a cada episódio trariam uma mulher para partilhar a sua experiência profissional e debater estratégias e ferramentas. "Quando elaborámos a primeira lista de mentores percebemos que só nos tínhamos lembrado de homens. Deixámos essa lista de parte e assumimos a missão de dar mais espaço e exposição pública a mulheres que são referências nas suas áreas".

Além dos 24 episódios publicados, ouvidos em 18 países, Sara Aguiar e Mafalda Rebordão já criaram também um programa para empresas onde fazem workshops e, neste contexto, já formaram mais de 400 jovens. O feedback foi tão positivo que "começámos a receber mensagens de pessoas que não estavam nas empresas" e assim decidiram criar um curso self-service com módulos de produtividade e mindset, conta Sara Aguiar.

Das flores à mentoria

No próximo dia 8 de março lançam o seu primeiro evento, em parceria com o Nova SBE Leadership for Impact Knowledge Center, onde trocam as flores por mentoria e se comprometem a "preparar as próximas gerações para o sucesso e a criar mais exemplos femininos, porque ver é acreditar", explica Mafalda Rebordão, strategic partnerships manager na Google e cofundadora do Ponto Zero.

O evento contará com três painéis e dois workshops e é aberto à comunidade, com entrada livre para todos os que queiram participar. Desde aprender a começar uma carreira no mundo tecnológico a perceber como se pode ligar liderança e mindfulness, os workshops têm por objetivo partilhar "os desafios e lições que estas mulheres foram tendo nas diferentes fases das suas carreiras", conta Mafalda Rebordão. Os painéis vão debater temas como começar a carreira, como gerir prioridades e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e como fazer melhor em cargos de liderança. "A ideia é dar palco a estas mulheres e inspirar estes jovens", dizem as fundadoras do Ponto Zero.

O evento culmina num jantar-debate com um painel composto por homens que são CEO e que vão discutir o papel dos atuais líderes na promoção de mais mulheres para cargos de liderança. Para materializar a importância desse papel, 30 CEO, homens e mulheres de grandes empresas nas áreas de tecnologia, banca, retalho e outras, assinarão um compromisso de mentorar uma mulher durante um ano, em direção à liderança.

"A C-Level Mentorship Academy vai dar a oportunidade a 30 jovens mulheres, com três a dez anos de carreira, de serem mentoradas por um C-Level em Portugal", explica Mafalda Rebordão, sublinhando o papel do Nova Leadership for Impact que vai medir os impactos deste programa de mentoria.

Sara Aguiar e Mafalda Rebordão são da opinião de que "não podemos ter uma ideia romântica do mercado de trabalho, porque criar uma carreira é muito desafiante", explicam, reforçando que todos somos sempre "um trabalho em progresso" em busca pela nossa próxima melhor versão.

A todos os jovens, deixam o conselho de construírem fortes redes de networking, participarem em várias atividades que sejam do seu interesse, comprometerem-se com o trabalho árduo e ir até onde outros não estejam dispostos. Acima de tudo, "é importante conhecermos os nossos superpoderes" e não ter medo de sentir "algum medo", porque é isto que conduz a mais crescimento e à vontade de ser cada vez melhor.

"Acreditamos muito no poder da mentoria, seja entre pares ou por parte das lideranças", o importante é mesmo ter mentores, aprender também com as experiências dos outros e continuar a apostar em lideranças transversalmente diversas para que todos os jovens possam ter exemplos com os quais se identifiquem. "A diversidade não é só de género, há muitas diversidades e muitas delas são até invisíveis", sublinham as fundadoras do Ponto Zero.

Texto editado por Carla Alves Ribeiro

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