Apresentado como um dos jovens pensadores mais "promissores" da atualidade, Rutger Bregman defende que precisamos de uma nova estrela que nos guie: a utopia
Dinheiro de graça, um rendimento básico universal. “E não apenas durante alguns anos, ou somente em países em desenvolvimento, ou apenas para os pobres; é exatamente o que diz na embalagem: dinheiro de graça para toda a gente”. É o que defende Rutger Bregman, apresentado como um dos jovens pensadores mais "promissores" da atualidade.
No livro Utopia para Realistas, o holandês, formado em História pela Universidade de Utrecht, avança com dados que demonstram os benefícios do rendimento básico universal para combater a pobreza: “Estudos de todo mundo confirmam: o dinheiro de graça resulta”.
O autor contesta a ideia dos “pobres preguiçosos” e adianta que “a própria persistência desta visão levou os cientistas a investigar a sua veracidade. Há poucos anos, a prestigiada revista de medicina Lancet sintetizou assim as suas descobertas: quando os pobres recebem dinheiro sem condições, tendem mesmo a trabalhar com mais afinco”.
A melhor opção não é nem dar o peixe nem ensinar a pescar. “De que serve enviar carrinhas cheias de indivíduos caucasianos com brutos salários quando podemos, simplesmente, dar os seus salários aos pobres?”, questiona Bregman.
A visão deste historiador está ancorada na ideia de utopia: “As utopias, à semelhança do humor e da sátira, abrem as janelas da mente”; “sem utopia, só resta a tecnocracia e a política dilui-se na gestão de problemas”; “o que separa hoje a esquerda da direita é um ou dois pontos percentuais no imposto sobre o rendimento”, escreve o autor.
Para Rutger Bregman, “é altura de regressarmos ao pensamento utópico. Precisamos de uma nova estrela que nos guie”.