

“Talvez ainda tenhamos um complexo de inferioridade enquanto país, mas o que vemos é que o talento português é tão bom quanto o talento que sai de Harvard ou do MIT.” Quem o diz é Luís Ungaro, VP of AI da Sword Health, o unicórdio português da saúde que já vale três mil milhões de euros e que tem uma equipa de inteligência artificial (IA) composta a 100% por talento nacional. “Só nos últimos dois anos, esta equipa quintuplicou e continuamos a reforçá-la, com uma aposta muito direta no talento nacional. E não é uma questão de custos, é uma questão de elevada qualidade”, garante.
Este sábado, 9 de novembro, entre as 8h e as 18h30, a startup pioneira na área de Artificial Intelligence Care, com os EUA como principal mercado, organiza a primeira edição do Sword AI Summit. Este evento reúne no Porto – a cidade onde está localizado o quartel-general da Sword Health –, algumas das maiores empresas mundiais que lideram a área da IA. “Vão subir ao palco oradores de diferentes partes do mundo para partilhar as suas experiências de gerir estes temas em empresas líderes como a Meta, Google DeepMind, OpenAI, Microsoft, DAGWorks, Unbabel, Rows, Pinecone, Liquid AI, Khosla Ventures e Sword Health”, avança ao Dinheiro Vivo Luís Ungaro. “Agora, que já fechámos a agenda do evento, posso dizer que cumprimos com a nossa promessa de criar a maior conferência de IA no sul da Europa, com alguns dos responsáveis mundiais pela inovação nesta área reunidos no Porto.”
Fundada em 2015, a Sword desenvolveu um Terapeuta Digital, atualmente Thrive. Esta solução foi inicialmente desenvolvida para o tratamento da dor, combinando IA com a experiência de equipas clínicas para que pacientes tenham acesso, sem barreiras, a cuidados de saúde a qualquer hora e em qualquer lugar. Desde então, esta tecnologia foi evoluindo e, atualmente, contam com uma plataforma que engloba sete soluções distintas direcionadas para diferentes problemas do espectro da dor. “Estamos conscientes da dimensão do problema a que nos propusemos resolver e da dimensão da nossa missão – libertar dois mil milhões de pessoas da dor”, explica o VP of AI da Sword Health. “No entanto, entendemos que este modelo tem um grande potencial para ser aplicado com sucesso a outras áreas, entre as quais a da saúde mental.”
Para a Sword, a utilização de IA na sua tecnologia tem o grande propósito de democratizar o acesso a cuidados de saúde de qualidade, e de oferecer aos pacientes soluções livres de uma série de barreiras que dificultam o acesso à prestação de cuidados de saúde. “A Inteligência Artificial é absolutamente fundamental para isto, é a única forma de garantirmos qualidade e escala”, explica Luís Ungaro. “Qualidade porque conseguimos que não escape nenhum pormenor relevante ao profissional clínico; escala porque o profissional clínico consegue, com a ajuda da IA, garantir o tratamento a mais pacientes, facilitando e aumentando o maior acesso a tratamento de qualidade. A IA já está a entregar valor globalmente e a beneficiar a sociedade, resolvendo este problema de grande escala que é a desigualdade no acesso aos cuidados de saúde.”
Foi também no sentido de democratizar o acesso a temas como a IA, que hoje estão tão presentes na sociedade e que já são indissociáveis das empresas e das novas profissões, que a Sword Health organizou o Sword AI Summit, no Centro de Congressos da Alfândega do Porto, onde são esperados mais de 400 participantes. “Qualquer pessoa, seja profissional da área ou interessada em saber mais sobre estas matérias, poderá aprender com as empresas que estão na vanguarda do desenvolvimento de IA. O bilhete tem um custo simbólico de 10 euros e reverte na íntegra a favor da Liga dos Bombeiros Portugueses”, explica o responsável pela área de AI da unicórnio da saúde. O evento destina-se a Machine Learning Engineers, Data Scientists, Project Managers e outros profissionais da área tecnológica, bem como a entusiastas e interessados em saber mais sobre o tema, segundo anuncia a empresa. O programa completo pode ser consultado aqui.
Outro dos aspetos que esta iniciativa permite enfatizar é o trabalho que se desenvolve a partir do nosso país. “A equipa de tecnologia – na qual a de IA está integrada – é uma das maiores da Sword e 80% dos colaboradores que a compõem trabalham a partir de Portugal. O talento nacional tem alavancado o crescimento da Sword”, atesta Luís Ungaro, acrescentando que, neste momento, a Sword tem cerca de uma centena de vagas anunciadas e mais de metade destinam-se a perfis tecnológicos, nomeadamente para integrarem a equipa de IA.