A iLoF angariou cinco milhões de dólares (cerca de 4,9 milhões de euros) numa ronda de financiamento liderada pela portuguesa Faber, anunciou a startup portuense esta quinta-feira. A ronda de financiamento também contou com a participação do fundo da Microsoft M12, da Quiet Capital, Lunar Ventures, Alter Venture Partners, re.Mind Capital e Fluxunit, bem como com os investidores Charlie Songhurst e Nicol.as Berggruen
Em comunicado, iLoF explica que o capital captado ajudará a "acelerar compromissos atuais com algumas das principais empresas globais no espaço farmacêutico, biotecnológico", com o objetivo de "acelerar pilotos" e "agilizar o desenvolvimento da plataforma" que permitirá o desenvolvimento de diagnósticos e tratamentos personalizados. Além disso, após esta ronda de investimento, a startup quer duplicar a equipa ao contratar mais 20 pessoas até 2023 - procura profissionais em física, ciência de dados, biologia e gestão de produto.
Até ao momento, a iLoF já angariou um total de 18 milhões de dólares (cerca de 17,6 milhões de euros) em rondas de financiamento. A startup do Porto desenvolve atividade num setor da medicina que foi avaliado em 500 mil milhões de dólares (cerca de 489 mil milhões de euros) em 2021.
O trabalho desenvolvido pela empresa portuense foca-se no desenvolvimento de uma plataforma inteligente que pretende gerir grandes quantidades de dados. No fundo, a iLoF quer construir uma biblioteca de perfis biológicos, "reunindo físicos, biólogos e cientistas de dados de classe mundial", e com isso acelerar o desenvolvimento de medicamentos personalizados e a criação de dispositivos não invasivos para diagnóstico de doenças oncológicas.
"A visão de longo prazo é fazer crescer a nossa biblioteca digital de biomarcadores e colocá-la ao serviço dos doentes, através de uma plataforma inovadora de triagem de doenças", afirma Luís Valente, cofundador e CEO da iLoF.
Além disso, a plataforma inteligente servirá de apoio a investigadores e cientistas, ao aprofundar "a compreensão das doenças e ajudando os clínicos a detectar algumas das doenças mais graves e mortais do mundo, como cancro do ovário, ou a doença de Alzheimer".
"Durante anos, os tratamentos foram desenvolvidos com a suposição de que funcionam para todos. No entanto, cada pessoa é diferente e, para muitas doenças graves, como Alzheimer, vários fatores podem contribuir para a eficácia de um tratamento em um determinado paciente. Isto significa que milhões de pacientes vivem atualmente sem acesso a um tratamento eficaz e modificador da doença - o que instigou a missão por detrás da iLoF", argumenta Luís Valente.
"Capturamos grandes quantidades de dados para criar cópias digitais de perfis biológicos e subtipos de doenças, que armazenamos na nossa biblioteca digital. Diferentes perfis de pacientes poderão assim ser selecionados e rastreados pela plataforma, acelerando o desenvolvimento de tratamentos eficazes e personalizados, e permitindo ensaios clínicos mais humanos e centrados no paciente", conclui.
Criada em 2019, a iLoF tem a equipa dividida entre a cidade do Porto e Oxford, Reino Unido. Foi formada no programa Wild Card da EIT Health e acelerada na Oxford Foundry. É hoje liderada por Luis Valente, português que figura na Forbes 30 under 30 for Science and Healthcare. Conta também com o doutorado em bioquímica Mehak Mumtaz e com a cientista Paula Sampaio na direção.
Durante a pandemia, a iLoF destacou-se ao apoiar o Hospital de São João e a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, procurando perceber como a plataforma que tem desenvolvido pode gerir o fluxo de doentes covid-19, otimizando recursos das unidades hospitalares.