Portugal mantém-se como um dos países da zona euro onde são maiores os aumentos de preços nos bens habitualmente mais estáveis, sintoma de um fenómeno de inflação mais alargado e duradouro face à conjuntura que alia atualmente problemas de congestionamento nas cadeias de distribuição aos impactos da invasão russa da Ucrânia.
Em estimativa rápida sobre o comportamento dos preços em maio, o Instituto Nacional de Estatística apontou ontem para uma subida no índice de preços no consumidor português de 8%, face a um ano antes, após uma subida mensal de 1% na generalidade de bens e serviços incluídos no cabaz nacional.
Já a inflação subjacente, que retira dos cálculos as variações dos preços mais sensíveis à conjuntura (da energia e dos bens alimentares não transformados), atinge um registo de 5,6% em termos homólogos nesta estimativa provisória que terá dados definitivos a 14 de junho.
Para efeitos de comparações europeias, esta primeira estimativa calcula apenas o indicador harmonizado da inflação total - onde pesam, por exemplo, mais os consumos associados ao turismo. Portugal surge com 8,1% no índice harmonizado de preços no consumidor.
Mas, é possível também já concluir que a inflação subjacente comparável com outros países europeus (harmonizada) voltará mais uma vez a ficar bastante acima da média da zona euro. Segundo o Eurostat, na média do grupo da moeda única a subida no cabaz de preços de onde é retirada a energia e os bens alimentares não transformados fica em 4,4% apenas. Portugal poderá ainda ir um pouco além dos 5,6% neste indicador harmonizado.
Desde janeiro que a inflação subjacente tem vindo a ser maior em Portugal do que na média da zona euro, com as diferenças a ampliarem-se progressivamente, e com as subidas nos preços mais persistentes a serem maiores em Portugal do que na generalidade dos países da Europa ocidental.
Já no indicador total de inflação, Portugal surge em maio a par com o registado em média da zona euro. Ficou em 8,1%, nas estimativas do Eurostat.
As variações de preços registadas em Portugal em maio são as mais elevadas desde meados da década de 1990.
Em termos médios, e considerando apenas os cinco primeiros meses do ano, o valor da inflação em 2022 atingirá já os 5,6%, bem acima das previsões do governo que apontam ainda para uma subida de 4% no conjunto do ano.