A 3 de junho de 1945, é afundado o submarino alemão U-1277 ao largo da costa do Porto. A decisão do comandante, quando tomou conhecimento que a II Guerra Mundial tinha terminado, criou um produto turístico ímpar em Portugal. Há estrangeiros que vêm propositadamente ao país para mergulhar nas águas do Atlântico e ver os destroços do navio. Ainda são poucos, mas a Portugal Dive, empresa especializada em turismo de mergulho, acredita no potencial deste produto, num país onde a oferta tem um pouco de tudo: mergulho recreativo, técnico, em grutas, destroços (navios naufragados), até aldeias submersas em barragens.
No mundo, estima-se que existam cerca de nove milhões de praticantes de mergulho, com os norte-americanos e os europeus a dominarem. Em Portugal, talvez entre cinco e oito mil. São estimativas, pois não existe informação rigorosa sobre este mercado. A promover desde 2018 programas de férias para mergulhadores, a partir do momento em que aterram em Portugal até ao regresso a casa, com mergulhos nos locais escolhidos, mas também com experiências culturais, gastronómicas e patrimoniais, a Portugal Dive decidiu dar um passo em frente e desenvolver um inquérito internacional.
O estudo permitiu levantar um pouco mais o véu do mercado e do seu potencial enquanto produto turístico. Ficou-se então a saber que o turista mergulhador é homem (83% da amostra), empresário (46%), a sua viagem tem uma duração em média até uma semana (49%), e está disposto a gastar entre mil e 2500 euros (56%). O inquérito, realizado nos cinco continentes, permitiu também saber que 43% dos participantes internacionais conhece locais de mergulho em Portugal e, destes, 93% já realizou mergulho no país. As regiões centro, sul e os Açores foram as mais procuradas. Parece que gostaram, já que 99% afirmaram ter intenção de voltar. A maioria destes turistas aproveitou também para conhecer o território e realizar outras atividades desportivas e culturais.
São dados que apoiam a aposta da Portugal Dive na atividade. Até porque, diz Arlindo Serrão, fundador e diretor da empresa, a procura do país como destino de mergulho tem crescido "muito". O país foi, inclusive, "muito beneficiado pelos dois anos de pandemia, que contribuíram para que se evidenciasse como uma opção mais segura e fiável em comparação com outros destinos", nomeadamente os mais exóticos, que apresentaram "dificuldades em assegurar um suporte sanitário adequado e garantias de repatriação". Este ano, a empresa já acompanhou mais de 200 turistas mergulhadores, tendo metade escolhido mergulhar na região de Lisboa (Cascais e Sesimbra) e a restante noutras zonas do país e ilhas. Os clientes chegam um pouco de todo o mundo, com destaque para a Europa, mas, nesta época estival, a grande maioria veio dos Estados Unidos.
Como sublinha o responsável, Portugal apresenta uma "intrínseca qualidade no mergulho, as águas estão cheias de vida". Nas últimas décadas foram criadas várias reservas marinhas, que contribuíram para um considerável crescimento da fauna e flora subaquáticas, conta. Em simultâneo, distingue-se pela "qualidade da experiência à superfície", isto é, "a capacidade para bem receber, a segurança percecionada, a gastronomia, a infraestrutura turística, o ambiente e a cultura". Consciente destes atributos, a Portugal Dive tem investido na promoção das águas portuguesas além-fronteiras.
A empresa tem convidado escritores e jornalistas a conhecerem o destino e a partilharem a experiência, e tem apostado em parcerias com operadores internacionais. Recentemente, começou a marcar presença em feiras. Para 7 e 9 de outubro, tem agendado o Diving Talks - Portugal, evento internacional que irá levar a Troia o que de melhor se faz no mundo debaixo de água.