Portugal é o "canário na mina de carvão" para a PagerDuty

Unicórnio norte-americano chegou a Portugal no final de 2021. Líder da tecnológica descobriu o país ao participar na Web Summit de 2021. Um ano depois diz ao Dinheiro Vivo que as expectativas já foram superadas.
Publicado a

Assim como os mineiros do século XIX recorriam a canários para controlar a libertação de gases tóxicos nas minas de carvão, a norte-americana PagerDuty vê Portugal não como um agente de sinalização de perigo, mas como um farol para as tendências do setor tecnológico na União Europeia (UE).

A startup norte-americana, com estatuto de unicórnio desde 2018, dedica-se à modernização de operações digitais das empresas através de soluções desenvolvidas em cloud. Por exemplo, num processo de compra online de um produto a PagerDuty fornece ferramentas para que nada falhe na ligação entre consumidor e empresa. No fundo, elimina as "barreiras" que interrompem a relação online entre um consumidor e uma empresa ao automatizar todos os processos. Como? Ao diagnosticar e corrigir um problema, seja pela melhoria da base de dados, identificação de uma violação de segurança ou através da criação de um novo servidor - tal ação permite economizar tempo e mitiga a probabilidade de haver incidentes que possam resultar em perdas de receitas para as empresas que acabam por perder clientes.

A PagerDuty está cotada na bolsa de valores de Nova Iorque e anunciou a abertura de um escritório em Lisboa (zona do Saldanha), na segunda metade do ano de 2021. Mais de um ano depois, o balanço excede as expectativas.

O Dinheiro Vivo (DV) encontrou a CEO da PagerDuty, Jennifer Tejada, na Web Summit, onde foi oradora pelo segundo ano consecutivo. Em entrevista, Tejada explicou que a aposta em Lisboa ocorreu após uma análise a "mais de 150 cidades" em diferentes pontos do globo. A escolha recaiu sobre a capital portuguesa por ser um "ótimo centro para desenvolver o negócio e continuar a construir uma cultura [organizacional]".

A gestora realçou a "tremenda" qualificação dos portugueses em áreas tecnológicas e o ambiente empreendedor "muito forte". A vinda de Tejada à Web Summit de 2021 ajudou na decisão final, como contou a própria ao DV, uma vez que nessa altura pôde sentir o pulso à atmosfera empresarial e de inovação tecnológica que tem sido desenvolvida no país.

A partir de Portugal, onde a PagerDuty já tem clientes como Farfetch, AiFi, Mediatree, Miniclip, Unbabel e VictoriaPlum - o que revela "haver procura" -, segundo Jennifer Tejada, a ideia também passa por criar uma "região" europeia para o negócio da tecnológica.

"Temos um escritório no Reino Unido, mas Lisboa tem sido incrivelmente importante, sendo um lugar onde podemos continuar a desenvolver o nosso talento e as nossas equipas na UE e, mais amplamente, a região EMEA [Europa, Médio Oriente e África]", afirma. É que a tecnológica sente ter encontrado no país uma "comunidade aberta" e com "talentos empreendedores".

A equipa em Portugal contribui para a operação global, não atua só para o mercado local. "Representa parte da nossa inovação e participa em quase todos os aspetos do nosso negócio, incluindo levar as operações digitais a empresas de todo o mundo", disse.

Acresce que parte do trabalho de integração na Europa "é liderada em Portugal, sendo a equipa portuguesa estratégica" para a tecnológica, de acordo com a CEO.

"A nossa equipa portuguesa é uma espécie de canário na mina de carvão. Ajuda-nos a entender as tendências na Europa e o que está a mudar na UE e como evolui a procura no mercado", salientou.

Há um ano, a propósito da abertura do escritório em Lisboa, a empresa prometia contratar cem talentos altamente qualificados até ao fim de 2022. "Estamos adiantados face ao nosso plano", realçou a gestora. Embora não tenha revelado a dimensão atual da equipa de Lisboa, liderada por João Freitas, assegurou estar "no caminho certo", perto do objetivo.

A equipa de Lisboa acolhe funções-chave, contando não só com programadores e engenheiros de software, mas também com profissionais de marketing, de áreas financeiras e de recursos humanos. Atualmente, há dez vagas abertas para a operação portuguesa da PagerDuty.

A empresa norte-americana tem sede em São Francisco (Califórnia, EUA) e, além de Lisboa, tem escritórios em Atlanta (EUA), Londres (Reino Unido), Sydney (Austrália) e Toronto (Canadá).

De acordo com as contas do segundo trimestre do ano fiscal de 2023, relativas ao período que terminou a 31 de julho, a PagerDuty registou um crescimento homólogo de 34% das receitas, para 90,3 milhões de dólares (cerca de 91 milhões de euros).

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt