Portugal Fresh pede atualização do PRR perante novo cenário de crise

Presidente da Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal aponta escalada de preços e pede apoios bem canalizados para o seu setor. Área dos frescos vale 3841 milhões de euros e representa 40% do setor agrícola.
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É num contexto de incerteza para o setor dos produtos frescos que a Portugal Fresh (Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal) está de regresso à Fruit Logistica, que se realiza em Berlim na próxima semana. O intuito é claro, promover naquela feira a produção nacional, de forma a dar-lhe ainda mais visibilidade junto dos mercados externos e "ajudar as empresas a diversificar destinos para os seus produtos". As palavras são de Gonçalo Santos Andrade, o presidente da Portugal Fresh, que revela que este é um momento muito difícil para o setor, com a escalada que se tem verificado nos preços da energia, combustíveis, fertilizantes e matérias-primas.

De acordo com aquele responsável, a área das frutas, legumes e flores vale 3841 milhões de euros, o que representa um crescimento de 17% relativamente a 2020. No seu todo, representa 40% do setor agrícola. "Em 2021 as exportações destes produtos ultrapassaram pela primeira vez a barreira dos 1700 milhões de euros (1731 milhões de euros), atingindo o valor mais alto de sempre", frisa Gonçalo Santos Andrade, explicando que estes resultados recorde "só poderão ser mantidos com o reforço destas iniciativas de promoção, investimento na produção e uma verdadeira valorização deste setor, que é estratégico para a economia".

O presidente da Portugal Fresh reforça que a escalada de preços dos fatores de produção, "principalmente fertilizantes, da energia e dos combustíveis", tem de ser limitada e que as medidas anunciadas pelo Governo até agora "só servem para apoio à tesouraria".

E apela aos governantes para que exista uma atualização do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) relativamente ao novo cenário. "Os apoios têm de ser bem canalizados, de forma a responder às reais necessidades das empresas e atenuar os graves efeitos que já estamos, todos, a sentir", frisa, relembrando que para além das consequências da guerra na Ucrânia e da pandemia, ainda estamos a viver sob a ameaça de uma seca extrema. "A conjugação dos três tem graves consequências para a produção e para os consumidores", lamenta.

Para Gonçalo Santos Andrade, o Governo deveria, em conjunto com Bruxelas, trabalhar de forma a parar esta subida de preços e assumir "parte dos custos, em vez de promover medidas que só vão aumentar o endividamento dos produtores". Produtores que, segundo o responsável, deveriam ser justamente "remunerados pelo seu trabalho" de forma a existir uma distribuição equilibrada do valor, na cadeia alimentar, o que o presidente da Portugal Fresh considera dever ser uma prioridade.

E exemplifica com as situações de contratos celebrados antes do início da guerra na Ucrânia, que "estão agora completamente desatualizados". "Não é possível aos produtores cumprirem esses contratos negociados num contexto completamente diferente", explica, adiantando que embora haja disponibilidade por parte da indústria da distribuição para "uma justa remuneração da produção", existem culturas plurianuais (como a framboesa, a pera, a maçã, a laranja, uva, amêndoa, entre outros), cujos produtores não têm esta possibilidade o que torna a "situação mais grave".

Embora o contexto atual seja "extremamente complexo" Gonçalo Santos Andrade garante que "o setor das frutas e legumes não vai parar" e que é necessário "produzir mais, de forma sustentável, e garantir alimentos para todos os consumidores".

Para Gonçalo Santos Andrade, também é necessário garantir a confiança dos consumidores, oferecendo-lhes estabilidade e, para tal, defende que é preciso apoiar a produção da União Europeia. "Portugal e os restantes Estados-membros têm de aumentar a produção de frutas e legumes e reduzir a dependência externa", insiste.

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