O Protagonista: Luís Fernandes, presidente da Associação Técnica da Indústria de Cimento
Sabia que existe por cá um pedaço de História europeia: uma das mais antigas fábricas de cimento do continente? Quem no-lo conta é o CEO da Cimpor - Cimentos de Portugal, referindo-se à fábrica de Alhandra, que iniciou a produção às portas de Lisboa em 1894. Sempre adiante do tempo, a indústria cimenteira está agora a reinventar-se rumo à neutralidade carbónica.
Com a atividade dispersa por vários operadores privados até ao fim do Antigo Regime, em 1974 o setor seria nacionalizado e do processo nascia, dois anos mais tarde, um grande conglomerado, a Cimpor. Posteriormente, a parte que correspondia à Secil, cuja fundação data de 1925, foi desagregada coexistindo no país, a partir daí, dois grandes produtores - mas enquanto a Cimpor detinha cinco fábricas, a Secil explorava uma. Em 1991, com a necessidade de maior equilíbrio no mercado, o governo decidiu passar duas fábricas da Cimpor (Maceira e Pataias) para domínio da Secil, permanecendo hoje seis fábricas repartidas pelas duas companhias.
O investimento e as políticas de incentivo às grandes obras públicas potenciaram o setor, culminando em 2001 em mais de 11 milhões de toneladas de cimento, o equivalente a um consumo per capita de mais de mil quilos por habitante. Atualmente a Associação Técnica da Indústria de Cimento estima que este ronde os 415 quilos por habitante, valor considerado padrão na Europa Ocidental. Quando a crise financeira provocou uma queda abrupta na procura interna, entre 2014 e 2016, os consumos caíram para 250 quilos per capita e foi o mercado externo a salvação do cimento nacional. As vendas para fora representaram então 60% e permitiram manter linhas de produção e postos de trabalho. Hoje a exportação é menor: representa apenas 40% do total de vendas.
Com as metas da União Europeia para atingir a neutralidade carbónica em 2050, a indústria cimenteira tem em mãos o maior desafio alguma vez enfrentado", conta o presidente da ATIC referindo-se à mudança de paradigma já em marcha, com ensaios a decorrer sobre alternativas aos combustíveis fósseis que ainda contam para a produção. "Esta transformação é tanto mais importante porque além de impactar um futuro mais sustentável mexe numa componente importante da economia nacional", frisa Luís Fernandes. O cimento gera um volume de negócios de 470 milhões e emprega mais de 5 mil pessoas, desenvolvendo toda a linha de produtos integralmente com produção portuguesa.