Portugal vai receber menos 235 milhões de euros por mês do Banco Central Europeu, dá conta o Jornal de Negócios esta terça-feira citando cálculos da escola de gestão IESEG . Em causa está o facto do supervisor europeu da banca querer ter um papel menos ativo no mercado de dívida a partir de março de 2023.
Depois de parar com a compra líquida de dívida dos Estados-membros da União Europeia, com o objetivo de travar a escalada da inflação, o BCE avança para uma nova fase da sua estratégia e vai começar a reduzir o valor do reinvestimento dos ganhos com títulos que iam alcançando as maturidades. Há uma média mensal de 24,107 mil milhões de euros, em obrigações detidas pelo BCE, que atingem o prazo entre março e novembro de 2023. Se a redução pretendida for aplicada de forma idêntica a todas as classes de ativos, o BCE vai deixar de usar quase 12 mil milhões de euros para comprar dívida pública dos países da zona euro.
Portugal representa 1,964% do total das obrigações dos Estados detidas pelo Eurossistema, de acordo com o mesmo jornal. Ora, nesta lógica de redução, "a média mensal do decréscimo do stock de dívida pública de Portugal detida pelo Eurossistema deverá ser de 235 milhões de euros no início do QT [quantitative tightening]", de acordo com os cálculos apresentados àquele jornal por Eric Dor, diretor de Estudos Económicos na IESEG.