O Tribunal de Contas reconhece que as parcerias público-privadas no setor da Saúde "geraram poupanças para o Estado", tendo sido "genericamente mais eficientes" do que a média dos hospitais de gestão pública comparável. Num relatório que analisa a performance dos hospitais de Braga, Vila Franca de Xira, Loures e Cascais, o TdC estima que o Estado tenha obtido uma poupança de 203 milhões de euros com estes contratos, mas que, mesmo assim, é menos de um terço do valor inicial estimado, de 671 milhões.
A notícia é avançada pelo jornal Expresso, que cita as conclusões de um relatório da Unidade Técnica de Acompanhamento de Projetos, do Ministério das Finanças, e que serviu de base ao trabalho do Tribunal de Contas, entidades que conclui que os hospitais com gestão clínica privada "apresentaram, globalmente, indicadores de eficiência económica e operacional superiores à média dos hospitais dos respetivos grupos de benchmarking [referência]". Em 2018, as unidades hospitalares de Braga, Loures e Vila Franca de Xira apresentaram mesmo os mais baixos custos operacionais por doente-padrão, com destaque para Braga que, desde 2013, teve sempre o custo mais baixo: 2280 euros por doente.
A avaliação do desempenho das PPP na gestão hospitalar foi positiva, quer na ótica do Estado, das avaliações externas independentes realizadas e, até, na ótica dos utentes, já que, diz o TdC, "os utentes dos hospitais geridos em PPP estão protegidos por padrões de qualidade mais exigentes do que os aplicados na monitorização dos hospitais de gestão pública".
Mas o TdC conclui, também, que a produção de cuidados de saúde nestes quatro hospitais acabou por ser superior à contratada. Os contratos em causa geraram divergências acumuladas de 61 milhões de euros, 22 milhões dos quais ainda em litígio. E deixa recomendações, designadamente "a adequação da produção anual contratada às necessidades de serviços de saúde da população da área de influência", a aplicação de inquéritos de satisfação (já existentes nas PPP) em todos os hospitais de gestão pública e a ponderação dos temas hoje em litígio na configuração dos novos contratos de gestão de Cascais e Loures. O TdC define ainda como um desafio "a fundamentação da escolha entre a contratação pública tradicional e as PPP em análises custo-benefício, por forma a garantir a melhor aplicação dos dinheiros públicos", nomeadamente na reavaliação de uma nova parceria em Braga.