Parece que nada esmorece o mercado imobiliário português. A subida dos preços da habitação mantém-se uma tendência apesar dos sinais de uma pressão inflacionista que começaram a surgir já em meados do ano passado e que poderiam arrefecer a dinâmica de investimento. Prova disso é que nos últimos três meses de 2021 o preço mediano das casas no país atingiu os 1355 euros por metro quadrado, um aumento homólogo de 14,1%. E, face ao trimestre anterior, subiu 3,1%.
O custo da habitação aumentou na generalidade do país. Como revelam esta quinta-feira os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o preço mediano aumentou em 23 das 25 sub-regiões face ao período homólogo. As únicas exceções foram o Baixo Alentejo (caiu 2,5%) e a Beira Baixa (-0,7%).
As três sub-regiões com os preços mais elevados foram o Algarve (2114 €/m2, com um aumento homólogo de 15,8%), Área Metropolitana de Lisboa (1904 €/m2 ou mais 14,6%) e Região Autónoma da Madeira (1506 €/m2 ou mais 20,3%), todas com superiores superiores à do país
A Área Metropolitana do Porto apresentou um valor por metro quadrado superior ao do país (1 444 euros), mas o crescimento homólogo ficou abaixo, nos 12,4%.
Nas duas áreas metropolitanas, a escalada fez-se sentir de forma aguda, embora em Lisboa e no Porto, a subida da taxa de variação homóloga tenha sido pouco expressiva, respetivamente 0,4 pontos percentuais (p.p.) e 0,9 p.p..
Na AMLisboa, os preços subiram em sete dos 11 municípios com mais de 100 mil habitantes, com um incremento superior ao registado a nível nacional em Setúbal (+9,8 p.p.), Loures (+3,0 p.p.), Almada (+2,2 p.p.) e Oeiras (+2,1 p.p.).
Na AMPorto, a taxa de variação homóloga foi superior à do país na Maia (+10,5 p.p.) e em Vila Nova de Gaia (+8,1 p.p.).
Forte investimento internacional
No último trimestre de 2021, os compradores internacionais desembolsaram por uma casa em Portugal um valor mediano 2302 €/m2 (euros por metro quadrado). Já as transações efetuadas por investidores com domicílio fiscal no país tiveram um custo de 1319 €/m2 .
Na AMLisboa, a diferença entre o preço mediano das transações efetuadas por compradores com domicílio fiscal no estrangeiro e as que envolveram compradores residentes no país foi de 2425 €/m2, ou seja, os estrangeiros gastaram mais do dobro. Como aponta o INE, o valor aplicado pelos internacionais foi de 4283 €/m2, enquanto os portugueses gastaram 2547 €/m2.
Na sub-região do Algarve, que a par da AMLIsboa, apresenta os preços da habitação mais elevados - Algarve (2144 €/m2 ) e Área Metropolitana de Lisboa (1904 €/m2 ) -, os estrangeiros despenderam um valor mediano 1858 €/m2, em oposição aos 1969 €/m2 dos residentes nacionais.
No quarto trimestre de 2021, o preço das habitações compradas por famílias foi 1388 €/m2. Já o valor aplicado pelos investidores dos setores institucionais atingiu os 1097 €/m2 .
Santo António em destaque
Com base nas vendas efetuadas entre janeiro e dezembro de 2021, o preço mediano de foi 1297 €/m2 , aumentando 3,7% face ao trimestre anterior e 9,0% relativamente ao trimestre homólogo. Acima do valor nacional mantiveram-se as sub-regiões do Algarve (2000 €/m2 ), Área Metropolitana de Lisboa (1813 €/m2 ), Região Autónoma da Madeira (1436 €/m2 ) e Área Metropolitana do Porto (1370 €/m2 ).
No período de 12 meses entre janeiro e dezembro de 2021, Lisboa registou os preços da habitação mais altos, entre os 24 municípios com mais de 100 mil habitantes, em ambas as categorias de domicílio fiscal do comprador: 3400 €/m2 por compradores portugueses e 5051 €/m2 por estrangeiros.
Entre as 24 freguesias de Lisboa, apenas Santo António (5435 €/m2 ) registou preços medianos de venda de alojamentos superiores a 4500 €/m2 .
Em Lisboa, o preço ficou-se neste período de 12 meses nos 3531 €/m2. Acima deste valor encontram-se as freguesias Parque das Nações (4431 €/m2 ), Avenidas Novas (4243 €/m2), Campo de Ourique (3998 €/m2 ) e Alvalade (3808 €/m2 ).
No Porto, o preço mediano atingiu os 2278 €/m2. A União de freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde (3017 €/m2 ), a União de freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória (2577 €/m2 ) e a União de freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos (2521 €/m2 ) destacaram-se, entre as sete freguesias, por apresentarem um preço acima do valor observado na cidade.