O preço da eletricidade no mercado grossista ibérico caiu, nesta terça-feira, para o valor mais baixo dos últimos seis meses, mas o presidente executivo da Galp alerta que tal não significa que a crise energética esteja ultrapassada. Pelo contrário, Andy Brown acredita que os preços da eletricidade vão continuar a subir, impulsionados pelos custos do gás, "a não ser que seja encontrada uma solução de longo prazo".
"Ninguém pense que a crise energética está ultrapassada. A situação excecional dos preços de ontem no mercado ibérico devem-se a ter sido um dia especial, com muito vento, o que provavelmente se repetirá hoje, mas não continuará para sempre. Os preços do gás estão um bocadinho mais baixos, porque entretanto as temperaturas estão mais amenas - reduzindo a pressão sobre o consumo -, mas a curva futura dos preços de eletricidade continua muito alta", diz Andy Brown, sublinhando que em vez dos 85 euros por megawatt-hora a que atingiu o Mibel na terça-feira (referente à produção contratada para hoje), os preços deverão continuar a manter-se acima dos 200 euros o megawatt-hora.
A questão, lembra o CEO da Galp, tem a ver com a estrutura de formação de preços no mercado ibérico, que é um mercado marginalista, com o gás a afetar uma pequena parte da produção de energia elétrica, mas a determinar o seu preço. "Ainda temos que estar preocupados com os preços da eletricidade enquanto o gás é parte da formação do preço", diz este responsável, que elogiou a iniciativa do governo português e espanhol de procurar 'desligar' o preço da eletricidade do custo do gás.
Quanto ao petróleo, Andy Brown acredita que vai levar "um ou dois anos mais" para que os preços comecem a descer.