Preços das telecomunicações registam em março maior subida homóloga em 29 anos

Preços das telecomunicações voltaram a subir em março devido "a um ajustamento de preços" dos principais operadores, sobretudo pela entrada em vigor da atualização de preços para 2023 da Vodafone.
Publicado a

Os preços das telecomunicações voltaram a subir no mês de março. Desta vez, os preços das comunicações eletrónicas aumentaram 1,7%, face ao mês de fevereiro, devido a "um ajustamento de preços" dos operadores de telecomunicações devido à inflação. Em termos homólogos, a subida de preços foi de 5,7%, "a maior variação desde abril de 1994", revelou a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) esta segunda-feira.

No mês de março, entrou em vigor a atualização tarifária da Vodafone. Desta forma, a evolução dos preços relativos às comunicações eletrónicas, medida através do respetivo subgrupo dentro da classe de preços "comunicações" do Índice de Preços do Consumidor (IPC), indicador que mede a inflação, continuaram a subir. Em fevereiro, a Meo e a NOS já tinham atualizado valores tarifários, levando nesse mês os preços das telecomunicações a subirem 4,8% face ao mês anterior - foi o maior aumento mensal em 27 anos.

Não obstante, a Anacom observou que "a Meo aumentou a mensalidade de sete serviços, enquanto a NOS aumentou a mensalidade de dez serviços", em março. Já a Vodafone aumentou a mensalidade mínima em todos os 13 serviços considerados. Por sua vez, a Nowo diminuiu a mensalidade de seis serviços, mas aumentou preços em dois serviços.

De acordo com o INE, a taxa de inflação abrandou para 7,4% em março, em termos homólogos. Comparativamente com fevereiro, a variação mensal do IPC foi de 1,7%. A Anacom refere que, em termos homólogos, os preços aumentaram 5,7% - "a maior variação desde abril de 1994" -, realçando que os preços das comunicações eletrónicas foram 1,8 pontos percentuais ao valor do IPC em março.

Acresce que a taxa de variação média dos preços das telecomunicações nos últimos doze meses foi de 2%, menos 6,8 pontos percentuais do que taxa de variação média do IPC (8,7%). No entanto, esta mesma taxa foi superior à verificada na União Europeia (1,7%). E salienta que, por subgrupo, de acordo com o Eurostat, "as taxas de variação média dos últimos doze meses foram de 3,8% e 0,5% nos serviços em pacote e nos serviços telefónicos móveis, respetivamente".

Em termos europeus, "Portugal registou a décima variação de preços mais elevada (18.ª mais baixa) entre os países da UE [União Europeia].

"O país onde ocorreu o maior aumento de preços foi a Polónia (+5,4%) enquanto a maior diminuição ocorreu nos Países Baixos (-3,8%). Em média, os preços das telecomunicações na UE aumentaram 0,2%", detalha o regulador liderado por João Cadete de Matos.

Pelos cálculos do regulador das comunicações, que se baseia nos indicadores do INE e do Eurostat, os preços das telecomunicações subiram 17,2% desde o final de 2010, enquanto o IPC aumentou 24,4%. Isto em termos acumulados.

"Entre 2015 e 2019, a variação acumulada dos preços das telecomunicações foi superior à variação acumulada do IPC devido aos ajustamentos de preços efetuados pelos principais prestadores [Meo, NOS e Vodafone]", nota a Anacom.

Desta forma, entre o final de 2009 e março de 2023, "os preços das telecomunicações em Portugal aumentaram 15,1%, enquanto na UE diminuíram 8,4%", estima a Anacom.

"Uma análise comparativa mais pormenorizada permite constatar que, entre o final de 2009 e março de 2023, os preços das telecomunicações diminuíram 11,6% na Croácia, enquanto no Chipre, na Eslovénia e em Portugal aumentaram 0,9%, 1,0% e 15,1%, respetivamente", complementa o regulador.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt