Nos últimos três anos, registou-se um crescimento acumulado de 25% dos preços de venda das casas e de 23% nas rendas no país, conclui o estudo "Portugal Living Destination" da consultora imobiliária JLL, apresentado esta quinta-feira. Segundo aponta o documento, a principal causa para esta valorização deve-se à escassez de oferta e também à solidez do mercado.
O retrato do setor é claro quanto à oferta: foram construídas 30.750 casas no último ano e meio e foram licenciadas 46.700 fogos, produção que fica muito aquém do início do milénio, quando em média se construíam mais de 72 mil habitações ao ano. E aquém da procura. Só nos últimos 18 meses foram vendidas 236 mil casas.
Mercado em retração
No entanto, o mercado está a ressentir-se da atual conjuntura, marcada pelo aumento do custo de vida e pela subida das taxas Euribor. Segundo o estudo, o número de casas vendidas caiu 22% no primeiro semestre deste ano face ao período homólogo. Neste contexto, o volume de transações ficou nos 14 mil milhões de euros, uma quebra de 16%.
O decréscimo do mercado é expressivo, mas os indicadores dados pelo relatório sustentam que as 68 mil casas transacionadas na primeira metade de 2023 refletem "um fluxo de procura bastante sólido" e suportado pelos compradores nacionais (93% do total de fogos vendidos). Em valor transacionado, o peso dos portugueses representa 87%.
Neste ambiente, a subida dos preços demonstra a resiliência do mercado à conjuntura, defende a JLL. "Mesmo em contexto de ajuste de vendas mantêm a tendência de crescimento, com o principal impacto a traduzir-se no abrandamento das subidas", diz.
O estudo confirma que os estrangeiros compram em média casas mais caras do que os portugueses. Desde 2019, adquiriram 40.700 habitações, num investimento total de 12 mil milhões. Estes valores representam 6% do número de fogos transacionados e 11% do volume de vendas.
Preço das rendas dispara
A Área Metropolitana de Lisboa (AML) não escapou aos efeitos da atual conjuntura económica. O número de casas vendidas no primeiro semestre caiu 27% face ao período homólogo, para cerca de 19.500 habitações, com o volume de vendas a decrescer 17%, para 5,7 mil milhões de euros.
Apesar desta tendência regressiva, os preços de venda aumentaram cerca de 5% na AML. Já os valores das rendas tiveram um acréscimo de 20%.
A Área Metropolitana do Porto, acompanha a tendência verificada na região da capital. O número de casas vendidas na primeira metade do ano caiu 22% e o volume de transações sofreu uma quebra de 16%. Nesta região, o preço da habitação teve um aumento de 2%, mas as rendas subiram 29%, avança o estudo da JLL.
Curiosamente, no Algarve o preço das casas teve uma quebra de 1%, numa altura em que o mercado registou um decréscimo de 27% no número de alojamentos vendidos. O volume de vendas caiu 21%. Contudo, arrendar uma habitação ficou 42% mais caro no primeiro semestre deste ano.
Com base neste retrato do mercado, a JLL defende a diversificação da oferta residencial no país, apostando em projetos de grande escala, tendo por base novas localizações, segmentos-alvo e tipologias.
O estudo propõe a construção de casas para um leque mais abrangente de públicos em termos de rendimentos, apostando em novas geografias como localidades periféricas dos grandes centros urbanos e/ou cidades de segunda linha.
Outra das emergências que deteta é a necessidade de avançar com grandes empreendimentos para arrendamento. Segundo o estudo, em Lisboa e no Porto, este mercado está especialmente pressionado pela falta de oferta, alavancando subidas no preço das rendas.