Anne Hidalgo, a autarca da capital francesa, anunciou esta terça-feira, que terá de pagar uma multa, que classificou como "absurda", por violar uma lei que já foi revogada.
"Tenho o prazer de anunciar que fomos multados por termos nomeado muitas mulheres para cargos de direção", disse Hidalgo numa reunião da câmara municipal, acrescentando que ficou cheia de "alegria" quando soube da pena.
A autarca afirmou-se como culpada por terem sido nomeadas 11 mulheres e apenas 5 homens para cargos de gestão na câmara em 2018, o que significa que 69% das nomeações foram para o sexo feminino.
"A direção da câmara municipal tornou-se, de repente, demasiado feminista", ripostou a socialista, que foi reeleita para um novo mandato à frente da capital francesa em 2019.
A norma que se alega ter sido violada, e que remonta a 2013, determina que não deve haver mais de 60% de nomeações para cargos de gestão de apenas um género, avança o diário francês Le Monde.
Em resposta, a socialista afirmou que tenciona levar o cheque da multa, pessoalmente, ao governo, acompanhada dos seus vice-presidentes e de todas as mulheres que trabalham com ela.
Num tom claramente crítico, Anne Hidalgo fez questão de acrescentar que considera a multa "absurda, injusta, irresponsável e perigosa", referindo ainda que, as mulheres em França, deveriam ser promovidas com "vigor uma vez que o atraso no país é ainda muito grande".
"Para um dia alcançarmos a igualdade, devemos acelerar o ritmo e garantir que sejam nomeadas mais mulheres do que homens", concluiu.
Amelie de Montchalin, ministra do Serviço Público, respondeu no Twitter lembrando que a multa foi aplicada em 2018 e, desde então, a regra tinha sido revogada.
"Quero que Paris pague a multa relativa a 2018 para financiar ações concretas de promoção das mulheres no serviço público. Convido-vos a vir ao ministério para discuti-las!", escreveu, direcionando as suas palavras a Anne Hidalgo.