Produção de petróleo em Angola e Nigéria cai para metade face a 2014

Estudo mostra que o número de poços de petróleo em funcionamento em Angola e na Nigéria caiu para metade desde que o preço começou a cair.
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O número de poços de petróleo em funcionamento em Angola e na Nigéria caiu para metade desde que o preço começou a cair, no verão de 2014, de acordo com a consultora energética Baker Hughes.

Segundo a agência de notícias financeira Bloomberg, que cita números apresentados na sexta-feira por esta consultora norte-americana, a queda dos preços do petróleo a partir do verão de 2014 teve como efeito quase direto o abrandamento da procura de novos poços.

"O número de poços de petróleo e gás na costa de África manteve-se em 20 em abril, o número mais baixo desde 2009", ao passo que os poços no continente caíram de 71 para 70, deixando o total no continente em 90, perto do valor mais baixo dos últimos quatro anos, escreve a Bloomberg.

A recente subida do preço do petróleo nos últimos três meses face aos valores mínimos desde 2002 não foi suficiente para ultrapassar a barreira dos 50 dólares, já que na sexta-feira o barril de Brent estava a valer quase 45 dólares, muito abaixo do pico de 110 atingido em junho de 2014.

O preço abaixo dos 50 dólares significa, de acordo com a consultora Wood Mackenzie, que só um terço dos poços africanos são viáveis, o que leva muitas companhias ou a abandonar ou a adiar o investimento para a procura de novos poços que possam compensar a atual redução da produção.

"A atividade de exploração basicamente secou, e não vejo que volte tão cedo", comentouo analista Anish Kapadia, da Tudor Pickering Holt, uma consultora energética em Londres, acrescentando que "a exploração que existe hoje é um legado dos tempos em que os projetos avançavam, por isso a partir de um certo ponto essa produção vai abrandar a não ser que haja novos projetos a serem sancionados".

O declínio da produção em África acontece também nos Estados Unidos, onde os poços à procura de petróleo são paenas 437, cerca de 25% do número total do verão de 2014, quando o petróleo atingiu o pico do preço.

Em Angola, o segundo maior produtor de petróleo da África subsaariana, os efeitos da queda do preço e das receitas fiscais, para além do abrandamento da produção, são bem visíveis. Em março, por exemplo, o país exportou 48,1 milhões de barris de petróleo, que renderam 377 milhões de euros em receitas fiscais, o que representa uma quebra de mais de 20% face ao mês anterios.

Angola, considerou o presidente da Partex, António Costa Silva, na semana passada durante o VI Congresso da da APED numa mesa-redonda subordinada ao tema "Petróleo, geopolítica e consumidores", cometeu um "erro estratégico".

Angola "cometeu um erro estratégico em apostar no 'offshore' [exploração petrolífera no mar]", em vez de equilibrar com o 'onshore' [em terra], disse Costa Silva, criticando ainda que o país não soube capitalizar a agricultura e os diamantes têm um peso pequeno na economia.

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