Produtos financeiros complexos vão ter sinalizadores de risco

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O supervisor do mercado português está prestes a lançar um

regulamento dedicado aos produtos financeiros complexos, com o

intuito de proteger os investidores, criando um conjunto de

sinalizadores que alertam para o risco associado às diferentes

aplicações.

Hoje, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM)

publicou o relatório final da consulta pública relativo ao projeto

de regulamento sobre informação, publicidade e comercialização de

produtos financeiros complexos, dando conta das várias alterações

que foram introduzidas de forma a melhorar as novas determinações

sobre a comercialização destes produtos.

Destaque para a introdução de alertas gráficos nos produtos

financeiros complexos, ainda que, após a recolha pública de

opiniões feita entre o final de janeiro e o final de fevereiro,

estes sejam apresentados em moldes diferentes do que os inicialmente

previstos.

"A CMVM ponderou cuidadosamente as observações apresentadas

na consulta, tendo concluído pela vantagem da manutenção do alerta

gráfico. Reconheceu, porém, a vantagem na simplificação do

mesmo", lê-se no relatório da entidade liderada por Carlos

Tavares.

A versão final dos sinalizadores de risco substitui a mão,

inicialmente prevista, pelo sinal de exclamação, "facilmente

associável a uma chamada de atenção", sublinhou o supervisor,

explicando que o nível maior de alerta foi associado à cor

vermelha, em que pode ocorrer a perda da totalidade do capital

investido ou a perda superior a esse montante.

"O critério passa a ser predominantemente o do risco do

capital investido, ainda que temperado por um critério de risco de

crédito no que respeita à atribuição das cores verde e amarela",

revelou a CMVM.

A cor verde só será atribuída a produtos em que a garantia do

rendimento ocorre a todo o tempo ou fica condicionada à maturidade,

um evento certo, ficando de fora todos os produtos cuja garantia de

rendimento ou de capital fique condicionada a um evento incerto.

Já as menções serão referentes apenas ao risco de perda de

capital, ou à necessidade de manter o capital investido por

determinado período, de modo a garantir o rendimento na maturidade.

"Todos os investimento têm risco", será o alerta

obrigatório em todos os produtos financeiros complexos, já que

todas estas aplicações apresentam risco de crédito.

Na semana passada, no âmbito da comemoração do Dia Mundial da

Poupança, Carlos Tavares já tinha sublinhado a importância de

limitar a venda de alguns produtos financeiros complexos aos

particulares.

"Alguns produtos de maior complexidade não deviam ser

vendidos aos particulares", defendeu então o presidente do

supervisor, acrescentando que "a educação dos investidores é

essencial para que possam compreender os produtos financeiros, mas

ainda mais importante é a formação dos bancários que

comercializam os produtos aos balcões dos bancos".

A CMVM considera que "a via autorreguladora poderá assegurar

uma atuação transversal mais flexível e, ao mesmo tempo,

respeitadora das especificidades regulatórias de cada setor".

Por isso, decidiu propor à Associação Portuguesa de Bancos

(APB) e à Associação Portuguesa de Seguradores (APS) a celebração

de um protocolo que permita eleger um conjunto de orientações pelas

quais se venha a pautar a atividade das suas associadas e respetivos

colaboradores na comercialização de produtos financeiros complexos.

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