Projetar locais de trabalho intergeracionais

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O atual contexto organizacional tem apresentado cada vez mais desafios aos profissionais. Este ambiente empresarial caracteriza-se hoje, por colaboradores com diferentes conhecimentos, mentalidades e experiências profissionais, o que significa que as empresas devem ter em consideração estes fatores, para que o bem-estar e a produtividade dos seus profissionais não seja afetado.

Todos desejamos trabalhar em ambientes que nos inspirem, promovam a criatividade, e criem uma ligação com a empresa na qual trabalhamos. Ao contrário do que se possa pensar, o ambiente físico é também o reflexo da cultura de uma organização, dos seus valores e da valorização dos seus colaboradores.

Refiro que o ambiente empresarial pode integrar quatro gerações distintas: os Baby Boomers, Geração X, Millennials e Geração Z.

Os Baby Boomers cresceram numa época de prosperidade económica, dão maior prioridade ao trabalho do que a vida privada. Preferem o contacto humano à tecnologia. São competitivos e workaholics. Geração X colocam muita ênfase no equilíbrio entre vida pessoal e profissional. São independentes, competitivos, flexíveis e adaptáveis. Millennials dependem muito da tecnologia. São a geração de colaboradores com mais habilitações literárias do nosso tempo. Notavelmente adaptáveis, flexíveis e ambiciosos e têm um forte espírito empreendedor. Geração Z também conhecida como geração do pós-milénio, é uma nova força de trabalho, que é ainda mais experiente em tecnologia e multicultural do que a geração do milénio. Os seus hábitos de trabalho ainda não estão estabelecidos, mas podemos dizer que estão ansiosos para entrar no mercado de trabalho e mudar o mundo.

Cada geração tem, diferentes pontos de vista e estilos de comunicação. Todos temos formas distintas de nos expressar e haverá uma troca natural de conhecimento entre gerações. Cada grupo tem as suas características e atitudes relativamente ao trabalho - devido ao nascimento em épocas distintas e também em contextos socioeconómicos e culturais muito diferentes - mas na verdade cada indivíduo desenvolve as suas próprias competências.

Por outro lado, o facto de as empresas fazerem um esforço para que os colaboradores se sintam integrados e estimulados, não significa que não lhes possam transmitir as suas expectativas e objetivos, sem falar na cultura e valores no local de trabalho.

Há uma aposta das empresas em desenhar escritórios, espaços partilhados que proporcionem não só conforto e funcionalidade, mas também que permitam bem-estar e criatividade aos seus colaboradores. E este investimento vai muito mais além do mero equipamento de escritório. Sem dúvida que o mobiliário, a ergonomia, as condições acústicas e a climatização são importantes, mas a iluminação, os materiais utilizados e as cores utilizadas nesse ambiente, são pontos fundamentais no desenvolvimento dos profissionais que atuam nesse espaço físico.

Desenvolver um sentimento de pertença à empresa e ao espaço é determinante na retenção dos recursos. A conceção de um espaço que acolha as diferentes gerações é um aspeto a ter em conta, daí que a tendência seja desenhar espaços que se assumam como intergeracionais, onde a tecnologia se interliga com o trabalho - salas de reunião equipadas com suportes de TI, com forte traço arquitetónico de modernidade, preocupação com mobiliário ergonómico e funcional e a utilização de materiais sustentáveis. Ou seja, um espaço com o qual todos se identifiquem e permita que as várias gerações possam trocar conhecimento.

Um bom ambiente de trabalho gera colaboradores satisfeitos, saudáveis e produtivos, pelo que se as organizações investirem na motivação vão estar a contribuir para o crescimento profissional da equipa e para o sentimento de pertença a um propósito coletivo, e isso é transversal a qualquer geração.

Conceição Correia, administradora Fluxograma

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