PS: "O problema da competitividade portuguesa não são os salários"

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O deputado socialista João Galamba considera que a troika tem uma "visão redutora" ao sugerir a redução de salários no sector privado.

"Infelizmente, a troika é composta por três indivíduos de três instituições que não são reconhecidas pela sua capacidade de gerar crescimento económico", considera o economista em declarações ao Dinheiro Vivo.

"É irónico que 30 anos depois da adesão à União Europeia

venham estes responsáveis europeus, e um do FMI, dizer que o problema são os salários elevados. É totalmente errado considerar que os custos unitários de trabalho são uma medida para avaliar" os níveis competitivos de uma economia.

O deputado explica que a produtividade tem crescido mais em Portugal, e nos países do sul da Europa, nos últimos anos do que na Alemanha.

Mas como o sector económico alemão mais relevante, a indústria, tem um peso maior do que o sector luso mais importante, os serviços, os níveis de produtividade são sempre maiores em Berlim do que em Lisboa.

"Desde 2005/2006 que Portugal tem tido um crescimento das exportações, e pretender aumenta-las reduzindo salários não faz sentido. A medida não vai promover nenhuma exportação. Mas vai levar a uma destruição da procura interna".

O deputado explica que as empresas dispõem de várias soluções no Código Laboral que permitem utilizar a flexibilidade das horas de trabalho.

"Olhando para os últimos investimentos estrangeiros em Portugal, vemos que o nível dos salários não foi um dos principais atractivos para estas empresas", defende João Galamba.

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