Para este resultado financeiro da PT Portugal contribuíram, sobretudo, fatores relacionados com o processo de venda à Altice. Aliás, só com alienação da empresa ao grupo francês, a PT Portugal registou uma imparidade de 867 milhões de euros entre o valor que esse ativo estava inscrito nas contas da brasileira Oi e os 7,4 mil milhões pelos quais foi vendida à Altice. O acordo de permuta de ações fechado com a PT SGPS na sequência do default de 897 milhões de euros de Rioforte - aprovado na quinta-feira pelos acionistas da Oi - também teve impacto nas contas: de setembro até dezembro, os 12% das ações da Oi que a PT SGPS vai "devolver" à operadora brasileira registaram perdas de 517 milhões.
Estes fatores não recorrentes não afetaram o desempenho operacional da empresa. "A PT Portugal reforçou a liderança de quota de mercado em termos de receitas", frisa o CEO, Armando Almeida. No ano passado, o negócio em Portugal da dona do Meo gerou receitas de 2455 milhões. Apesar da descida de 4,1% em relação ao ano anterior, a PT Portugal conseguiu aumentar 0,3 pontos percentuais a sua quota: 49,3%.
A aposta nos pacotes de convergência, como o M4O ou M5O, levou a PT Portugal à liderança de quota de mercado (46%). Em televisão, oMeo fechou o ano com mais 98 mil novos clientes, para um total de 1412 mil clientes. Uma curta distância da concorrente Nos, que atingiu 1477 mil clientes (menos 41 mil). No segmento móvel, o Meo juntou mais 93 mil clientes, para 7,9 milhões. Já a Vodafone, segundo maior operador, viu desaparecer 567 mil clientes, para 5,2 milhões.
"Estamos a ganhar dos dois lados (fixo e móvel)", destacou Armando Almeida. Embora no móvel a PT Portugal mantenha uma quota de 47%. Apesar dos ganhos a nível de clientes, as linhas de receitas recuaram no seu todo, tanto do lado residencial (-0,1%, para 707,9 milhões), pessoal (-6%, para 622,3 milhões), como empresarial (-5,8%, para 750 milhões). Cerca de 203 milhões vieram dos ativos em África, com a exclusão da angolana Unitel, adianta Marco Schroeder.
Negociações com Unitel
Os dividendos em dívida pela Unitel continuam por pagar, mas Marco Schroeder admite que os acionistas Oi e Unitel estão a negociar uma solução, tal como avançou o Dinheiro Vivo. "Não existe nenhuma demanda judicial, tanto do nosso lado, como da Unitel", diz o CFO. "Se quiserem comprar a nossa posição de 25% também podemos conversar", afirma o gestor. "Mas não há nada para comunicar", acrescenta. Novidades talvez para a segunda metade deste ano, adiantou Bayard Gontijo, CEO da Oi, na apresentação das contas da operadora brasileira.
Sobre o diferendo que existe com a Helios/Samba Luxco em torno da cláusula de put (opção de venda) invocada pelos parceiros da PT/Oi na Africatel, Marco Schroeder admite que está em tribunal arbitral, tal como também noticiou o Dinheiro Vivo. "Mas também não há novidade", garante o CFO. Mas caso o tribunal venha a decidir a favor da Helios, os 25% que esta detém na Africatel (onde estão os ativos em África, inclusive a posição na Unitel) poderão custar à Oi/PT "cerca de 400 milhões de euros", refere Marco Schroeder. Também em tribunal arbitral está o recente conflito com a Cabo Verde Telecom, da qual, apesar de ter 40%, a PT se viu afastada da administração. "Uma pequena discussão entre dois sócios", diz Schroeder, em torno de uma proposta feita pelo Estado de Cabo Verde relativamente ao "acordo acionista" e que, "brevemente, contamos estar resolvida".
No Brasil, continuam este fim de semana as conversações entre a Oi e a PT SGPS para fechar o novo acordo de combinação de negócio. O atual acordo é válido até ao final do mês, sendo o objetivo ter uma nova configuração até lá. Renovar o atual acordo, do lado da PT SGPS, está fora de questão: a companhia quer aumentar direitos de voto dos atuais 7,5% para, no mínimo, 15%.