"O que nos preocupa de facto é a situação que pode ser gerada pelo plano de reestruturação, que tem em vista a fusão com a Oi", adiantou Jorge Félix, presidente do sindicato, em declarações ao Dinheiro Vivo.
A PT Portugal tem 12 mil trabalhadores e mais 16 mil colaboradores a prestar serviços através de outsourcing. Ainda durante este ano, o número de quadros sem funções atribuídas, resultante das diversas reorganizações internas, chegou a rondar 400, adianta Jorge Félix. Número que foi reduzido com a passagem de alguns destes colaboradores para situação de pré-reforma ou realocação.
Os detalhes de plano de reestruturação de Armando Almeida ainda não são conhecidos, mas passa pelo corte de custos, até nas áreas de pessoal. Despedimentos coletivos não estão previstos, garantiu o CEO, mas o plano poderá passar pelo corte nos 16 mil colaboradores em outsourcing, tal como avançou o Dinheiro Vivo. Outra hipótese é chamar ao ativo alguns dos 7000 trabalhadores em situação de pré-reforma ou com suspensão de contrato de trabalho. A ideia é que assegurem funções atualmente feitas por trabalhadores externos, evitando-se duplicação de custos. "Até ao final do ano", a administração comprometeu-se a discutir o plano de reestruturação.
O objetivo é preparar a empresa para a fusão com a brasileira Oi. Negócio que se mantém em cima da mesa, garantiram ontem os CEO da Oi e da PT Portugal, Bayard Gontijo e Armando Almeida. Depois de mais de uma semana de notícias dando conta da venda da PT Portugal pela Oi, os gestores apresentaram uma frente unida para garantir que a fusão ainda está em cima da mesa.
"O foco na redução da dívida", dizem Bayard Gontijo e Armando Almeida, "exige assertiva gestão de capital, incluindo venda de ativos". "Trataremos o tema de forma rigorosa e consistente. Não teremos ações precipitadas", garantem numa missiva conjunta aos trabalhadores a que o Dinheiro Vivo teve acesso.
A Oi admite, no entanto, que a PT Portugal tem suscitado interesse no mercado. O BTG Pactual foi contatado "por diversos interessados (dentre os quais a Altice)", revelou a operadora brasileira. Os interessados pretendiam informações "principalmente" sobre operações em Portugal da Oi, para que "pudessem eventualmente formular propostas visando à aquisição de tais operações ou de parte de seus ativos não estratégicos". Mas, garante, até ao momento "não recebeu qualquer proposta de alienação, com indicação de valores ou não, de suas atividades em Portugal". Mais, "não existe decisão visando à alienação de tais atividades, ou de seus ativos em Portugal".
Além da Altice, a Oi não revela quem são os interessados em obter mais informação. Mas fonte próxima do processo, garante que se trata de "dois ou três investidores internacionais", sem adiantar mais pormenores.
"Neste momento, devemos focar na imensa relevância que a companhia [PT Portugal] tem para o país e para as famílias", diz Bayard Gontijo e Armando Almeida, incentivando os trabalhadores a concentrar as energias na relação com os clientes.
No Brasil, no entanto, é esperada uma consolidação nas telecomunicações, tendo a TIM Brasil no epicentro. A Oi já mandatou o BTG Pactual para analisar a compra de uma participação na operadora controlada pela Telecom Italia, com a Vivo (da Telefónica) e a Claro (da América Móvil, de Carlos Slim).
Ontem, o presidente da Telefónica Brasil, António Carlos Valente, garantiu que ainda não tinha sido contactado pela Oi. E o CEO da Telecom Italia, Marco Patuano, dizia: "Acho curioso que se fale publicamente [sobre uma oferta da Oi pela TIM] muito antes de ter uma possibilidade concreta de fazer alguma coisa." Quanto uma oferta da TIM à Oi - como chegou a ser noticiado - é "muito prematuro", disse em entrevista ao brasileiro Valor Econômico.