Quanto custa um festival

Montar um festival de Verão custa milhões de euros. Um cabeça de cartaz pede, em média, cerca de 500 mil euros, mas os valores do cachet podem oscilar entre 200 mil e um milhão de euros, como foi o caso dos Coldplay, que tocaram na semana passada no Optimus Alive. Para as restantes bandas, os preços oscilam entre 10 e os 50 mil euros.A isto juntam-se os custos com o marketing e ainda as infraestruturas. Só o palco pode custar entre 50 a 100 mil euros e o sistema de som e iluminação outro tanto. Depois há ainda o catering, que custa cerca de 20 euros por pessoa, as licenças e os direitos de autor, que podem ultrapassar os 200 mil euros.
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Montar um festival de Verão custa milhões de euros. Um cabeçade cartaz pede, em média, cerca de 500 mil euros, mas os valores docachet podem oscilar entre 200 mil e um milhão de euros, como foi ocaso dos Coldplay, que tocaram na semana passada no Optimus Alive.Para as restantes bandas, os preços oscilam entre 10 e os 50 mileuros. A isto juntam-se os custos com o marketing e ainda asinfraestruturas. Só o palco pode custar entre 50 a 100 mil euros e osistema de som e iluminação outro tanto. Depois há ainda ocatering, que custa cerca de 20 euros por pessoa, as licenças e osdireitos de autor, que podem ultrapassar os 200 mil euros. Ou ainda os seguranças e os motoristas, que durante os 15 dias demontagem, desmontagem e do festival propriamente dito podem ganharcerca de mil euros. Contas feitas, cerca de 50% do custo de umfestival é para as bandas e cerca de 25% vai para as infraestruturase o restante para o marketing. Pagar tudo isto não se faz apenas com as receitas de bilheteira,por muito mais que os bilhetes esgotem. Para se montar um festival deVerão há que ter patrocínios, porque sem eles não há festival,dizem os promotores contactados pelo Dinheiro Vivo. A montagem de umevento deste género, agora tão populares entre os portugueses,começa pela negociação com as marcas. Quanto mais dinheiro derem, mais fácil é contratar os artistasmais caros, que são por norma os que atraem mais pessoas e fazemdisparar as vendas de bilhetes. Além disso, diz Álvaro Ramos, daRitmos e Blues, a promotora parceira do Rock in Rio em Portugal eresponsável pelos concertos dos U2, "quanto maiores e melhoresforam os patrocínios, mais conforto e segurança tem o festival emais pessoas atrai".O que cada uma das marcas paga em patrocínios é que já dependede festival para festival, explicam os mesmos promotores, contudo,uma coisa é certa, "os patrocinadores nem sempre dão a maiorparte do dinheiro" e nunca dão metade do valor do festival, reparaÁlvaro Ramos. Ainda assim, há casos em que podem investir até 1,5milhões de euros num evento destes, apurou o Dinheiro Vivo.É por isso que é preciso ter um bom cartaz, diz o mesmoresponsável. Mas é aqui que as coisas se complicam. Segundo JoãoCarvalho, responsável pela Ritmos, a promotora do festival Paredesde Coura, "não há bandas baratas nos festivais. No Coliseu podemcobrar 20 mil euros e depois num festival cobram 50 mil euros".Além disso, explica Álvaro Ramos, trazer a banda que se quer no diaque se quer pode ser mais caro. "Os festivais portugueses estão emconcorrência com os estrangeiros, cujo mercado e poder de compra émaior, e por isso podem pagar mais para ter, por exemplo, os Coldplaya tocar ao sábado", disse ainda o responsável da Ritmos e Blues,acrescentando que os festivais portugueses são dos mais baratos daEuropa. Para os promotores contactados pelo Dinheiro Vivo, contratar umabanda para um festival é muito semelhante às contratações dosjogadores de futebol, ou seja, exige sempre uma negociação e nuncahá um preço fixo. Além disso, o promotor maior consegue os maioresnomes porque tem mais patrocínios e pode pagar mais, enquanto que opromotor mais pequeno está mais limitado. E optar por trazer umartista e a banda de suporte, apesar de ser uma prática cada vezmais comum, não torna o processo mais barato, porque são na mesmadois artistas e não há descontos. A dependência das marcas é, para o bem e para o mal, umarealidade na montagem de um festival de Verão, mas é também umadas razões porque determinados eventos deste género deixam de serealizar. "O Ilha do Ermal acabou porque a câmara mudou de partidoe não estava interessada em patrocinar um evento que o anteriorexecutivo tinha apoiado", contou Álvaro Ramos, responsável pelaorganização deste festival durante quatro anos. Vilar de Mouros, o primeiro festival a acontecer em Portugal, em1971, também acabou por ser extinto porque as dívidas já atingiamos 700 mil euros, e Paredes de Coura tem conseguido sobreviver, emparte, à custa de patrocinadores estrangeiros, "porque as marcassó querem festivais em Lisboa", acusou João Carvalho. O anopassado, conta, arranjaram um patrocinador espanhol e este anofizeram um contrato com a angolana Ritek, uma empresa que organiza umdos maiores eventos de música em Angola.

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