Quantos lugares podem ser rapidamente recuperados para os moradores de Lisboa? 

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Com estas obras de novas ciclovias, de transformação de lugares de estacionamento em esplanada e passeio público por causa da COVID-19 vamos perder milhares de lugares de estacionamento em Lisboa: para os "forasteiros" (os que trabalham e visitam) mas, sobretudo, para os que vivem na cidade.

Nem todos podem ocupar um lugar num parque de estacionamento (quantos ficam vazios todas as noites?... largas centenas, certamente, talvez um número entre 2 a 3 mil...) mas além destes lugares, por racionalizar, há outros: pela cidade há milhares de lugares de estacionamento ocupados de forma irregular por "falsas garagens", antigas garagens hoje lojas e empresas que tendo lancis rebaixados à sua frente são usados abusivamente removendo-as à lista de lugares de estacionamento regulados. Rent-a-car e oficinas completam a lista fazendo o número total subir ainda mais: talvez até algo em torno dos 2 ou 3 mil lugares totais em toda a cidade... Ou seja, em toda a Lisboa, há mais de 4 mil (estimativa conservadora) lugares de estacionamento que podem ser recuperados e devolvidos aos moradores.

Por defeito, sou favorável a todas as medidas que tirem carros da cidade e, sobretudo, daquelas que dêem alternativas aos que trazem desde a periferia os seus carros particulares num movimento pendular que prejudica o clima, aumenta as importações de combustíveis fósseis e agrava a balança comercial.

Mas estas medidas não devem visar, em primeiro lugar, os moradores da cidade e centram-se, isso sim, na redução de veículos que entram e saem todos os dias da cidade. Dentro de certos limites impostos pela razoabilidade (um carro por família) o estacionamento de carros de moradores deve ser tendencialmente gratuito em toda a cidade (até como forma de aumentar a atractividade de uma cidade em grave evaporação demográfica) e a quantidade de lugares de estacionamento reservada a moradores aumentada: desde logo pela racionalização (pelo uso) dos milhares de lugares de estacionamentos vazios, todos os dias, nos parques da Empark e da EMEL e, depois, pela recuperação de todos estes milhares de lugares perdidos para rent-a-cars, oficinas e falsas garagens.

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